
A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a OPEC+ a partir de 1º de maio reacendeu o debate sobre o papel desses grupos no mercado global de petróleo — e sobre como suas decisões podem influenciar os preços da energia no mundo.
O anúncio foi confirmado pelo ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, que afirmou que a decisão foi tomada após uma revisão das estratégias energéticas dos Emirados Árabes na região.
O que são Opep e Opep+
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, conhecida como Opep, é um grupo criado em 1960 por países produtores de petróleo com o objetivo de coordenar a produção da commodity e influenciar os preços no mercado internacional.
Hoje, os integrantes da organização respondem por cerca de 30% da produção mundial de petróleo. Entre eles está a Arábia Saudita, que é o maior produtor individual dentro do grupo e exerce grande influência sobre suas decisões.
Em 2016, diante de um período de preços baixos do petróleo, a Opep ampliou essa coordenação ao firmar uma parceria com outros grandes produtores. Dessa aproximação surgiu a OPEC+, que reúne 23 países exportadores de petróleo.
Além dos membros da Opep, o grupo passou a incluir produtores relevantes como a Rússia. Juntas, essas nações respondem por cerca de 40% da produção global de petróleo.
Como esses grupos influenciam o preço do petróleo
Os países da Opep e da Opep+ se reúnem regularmente para decidir quanto petróleo será colocado no mercado internacional. A ideia é ajustar a oferta de acordo com a demanda global.
Quando a procura por petróleo cai, o grupo pode reduzir a produção, diminuindo a oferta e ajudando a sustentar os preços. Em momentos de demanda maior, também pode aumentar a produção, o que tende a aliviar pressões sobre o mercado.
Por isso, mudanças na composição desses grupos — como a saída dos Emirados Árabes Unidos — são acompanhadas de perto por investidores e governos, já que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo no mundo.
Como isso pode afetar os bolso dos brasileiros?
Mudanças dentro da Opep e da Opep+ costumam ser acompanhadas de perto pelos mercados porque podem influenciar o preço do petróleo no mundo — e isso, por consequência, tende a repercutir também no custo dos combustíveis em diferentes países, incluindo o Brasil.
Isso ocorre porque o valor do barril é um dos fatores considerados pela Petrobras ao definir os preços de produtos como gasolina, diesel, gás natural e gás de cozinha (GLP) no mercado interno.
Ainda assim, é cedo para medir qual será o impacto concreto da saída dos Emirados Árabes Unidos sobre os preços no país.
Primeiro, será preciso observar se a reação do mercado representa apenas uma oscilação momentânea ou se o movimento poderá alterar de forma mais duradoura o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo.
Além disso, o preço pago pelos consumidores brasileiros depende de outros elementos além do petróleo internacional. Entre eles estão a cotação do dólar, a política de preços adotada pela Petrobras e o nível de impostos que incidem sobre os combustíveis.
*Reportagem em atualização
Logo da Opep durante reunião informal de membros da organização em Argel, capital da Argélia, nesta quarta-feira (28)
Reuters/Ramzi Boudina
Saída dos Emirados Árabes da Opep e Opep+: o que são os grupos e como isso pode afetar seu bolso
