O governo anunciou nesta terça-feira (14) novas medidas para tentar conter o aumento nos preços dos combustíveis, do gás de cozinha e, consequentemente, limitar seu efeito na inflação do país.
Em março, a inflação oficial do país já veio acima das expectativas do mercado financeiro principalmente pelo impacto da alta dos combustíveis. E, para este ano fechado, os analistas dos bancos passaram a prever estouro da meta de inflação.
Entre as medidas anunciadas, estão:
aumento de fiscalização sobre as distribuidoras de combustíveis beneficiadas com subsídios para o óleo diesel;
reajuste dos chamados “preços de referência” do programa gás do povo.
A orientação do governo é que as distribuidoras publiquem suas margens de lucro, de modo que o governo possa ter um acompanhamento para garantir o repasse do benefício aos pontos de revenda e à população.
“A regra de transparência de preços que precisa ser praticada sob pena de vedação de aquisição dos combustíveis subvencionados. Se adquirirem, precisam dar transparência a sua margem de lucro. Medida crucial para que esse regime de abastecimento siga reduzindo preços de combustíveis. Para que nenhum agente econômico se beneficie da redução de preços”, disse o ministro do Planejamento, Bruno Moretii.
No caso do programa gás do povo, por meio do qual o governo oferece gratis a recarga do botijão de GLP (13 kg) em revendas credenciadas para mais de 15 milhões de famílias, haverá um reajuste nos preços de referência. Isso custará R$ 300 milhões neste ano, e terá como objetivo manter a adesão das empresas e permitir que outras ingressem no programa.
Medidas anunciadas anteriormente
Essas medidas se somam a outras já anunciadas anteriormente, como redução de impostos federais, subsídio ao diesel, fechou um acordo com a maior parte dos estados para uma ajuda financeira aos importadores do combustível e, mais recentemente, medidas para o gás de cozinha e querosene da aviação.
⛽ O diesel é o principal combustível usado no transporte de cargas no Brasil. Por isso, quando seu preço sobe, há um efeito em cadeia na economia. O custo maior do frete, por sua vez, tende a ser repassado para alimentos, produtos industrializados e serviços, pressionando a inflação.
⛽Também foram anunciadas pelo governo brasileiro linhas de crédito aos setores afetados e fiscalização para evitar abusos nos preços dos combustíveis.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, informou que será regulamentada, “em breve”, a subvenção aos produtores nacionais e importadores de diesel, além da forma como será feita adesão dos estados ao subsídio para o produto. Também será regulamentada a forma como será dado subsídio ao GLP (gás de cozinha).
Guerra no Oriente Médio
As ações para conter a disparada dos combustíveis, e sua repercussão na economia e na inflação, surgem em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões no Oriente Médio, que aumentaram os custos e trouxeram incertezas sobre o abastecimento.
Como o Brasil ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel que consome, o cenário externo tem impacto direto nos preços internos e no custo de vida da população.
Com o aumento do petróleo no mercado internacional, o custo do diesel sobe rapidamente, o que pode gerar risco de desabastecimento ou aumentos mais bruscos. O Brasil também importa parte da querosene de aviação consumida internamente.
Governo aumenta fiscalização sobre distribuidoras de combustíveis que tenham subsídio e reajusta preços do gás do povo
