Dólar abre sessão desta quarta em alta, de olho em novas tarifas de Trump e conflito entre EUA e Irã


Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta quarta-feira em alta e subia 0,14% perto das 9h, cotado a R$ 5,0162. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, só começam às 10h.
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▶️ Os Estados Unidos propuseram mais uma sobretaxa para os produtos brasileiros na noite de terça-feira (2). A decisão de aplicar uma taxa de 12,5% se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio americana — a mesma usada para justificar a tarifa de 25% imposta ao Brasil na véspera.
A nova investigação feita pelo governo americano concluiu que o Brasil e outros 53 países falharam em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado e que isso cria uma dinâmica de “competição desigual” para empresas e trabalhadores americanos.
Ainda não está claro, porém, se as taxas se somam — o que poderia totalizar uma sobretaxa de 37,5% aos produtos brasileiros. (entenda mais abaixo)
▶️ Para o mercado financeiro, no entanto, ainda pesam mais as incertezas acerca do conflito no Oriente Médio, em meio às mensagens mistas vindas dos Estados Unidos e do Irã. Ontem, o presidente Donald Trump negou que as negociações haviam sido interrompidas, contradizendo o que autoridades do Teerã haviam afirmado no início da semana.
Já nesta quarta-feira, o presidente americano afirmou que o Irã “concordou em não ter armas nucleares” e anunciou que gostaria de conhecer o líder supremo do país, o aiatolá Motjaba Khamenei em algum momento. Diante das incertezas sobre a continuidade das negociações, o petróleo enfrentava mais um dia de alta.
Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 2,10%, cotado a US$ 98,02. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 2,15% no mesmo horário, a US$ 95,78 o barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -0,67%;
Acumulado do mês: -0,67%;
Acumulado do ano: -8,74%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,24%;
Acumulado do mês: +0,24%;
Acumulado do ano: +8,11%.
Retaliação comercial
Em mais uma retaliação comercial do governo Trump, os Estados Unidos informaram na noite de terça-feira (2) que realizaram mais uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americano e concluíram que o Brasil e outros 52 países falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Isso porque, segundo o relatório, a prática desses países é “irracional” e restringe o comércio dos EUA ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos.
O governo dos EUA estabeleceu dois níveis de sobretaxação:
10% de tarifa adicional para países que já possuem alguma proibição parcial ou que se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco. São eles: União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador.
12,5% de tarifa adicional para todas as outras economias investigadas que não apresentam regimes eficazes de controle. São eles: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita, entre outros.
A taxa de 12,5% vem apenas um dia após o governo americano decidir impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ainda não está claro se as duas taxas serão somadas.
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Impasse no Oriente Médio continua
Nos últimos dias, o conflito envolvendo EUA, Irã e Israel voltou a se intensificar, colocando em risco a já frágil trégua em vigor. (acompanhe ao vivo os principais acontecimentos da guerra no Oriente Médio)
Na segunda-feira (1º), os dois países trocaram novos ataques, enquanto o governo iraniano suspendeu as negociações de paz com Washington após bombardeios israelenses no Líbano.
🔎 As conversas para um acordo também perderam força depois que os EUA apresentaram novas exigências a Teerã no fim de semana.
Paralelamente, Israel ampliou sua ofensiva no sul do Líbano, atingindo áreas próximas a um hospital na cidade de Tiro, em um ataque que deixou mortos e mais de uma centena de feridos, além de emitir alertas de evacuação para moradores da região.
Agências de notícias iranianas chegaram a informar que as negociações entre EUA e Irã estavam paralisadas. Nesta terça-feira, no entanto, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que as conversas têm sido contínuas e que os relatos de que as tratativas haviam sido interrompidas seriam “falsos e errôneos”.
Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA concederão alívio das sanções ao Irã se o país concordar em desistir de suas atividades nucleares.
“O Irã está sendo sancionado porque tem urânio altamente enriquecido. O Irã está sendo sancionado por causa de suas atividades nucleares. Se o Irã concordar em desistir dessas coisas, haverá alívio das sanções associada ao seu compromisso e cumprimento desses acordos”, disse Rubio, no primeiro depoimento público feito no Congresso americano desde o início da guerra.
Mercados globais
Em Wall Street, os principais índices fecharam o dia com poucas variações. O otimismo dos investidores com os avanços da inteligência artificial ajudou a sustentar o mercado, mas os ganhos foram limitados pelas incertezas em torno das negociações entre EUA e Irã.
O Dow Jones subiu 0,46%, para 51.316,01 pontos, e o S&P 500 avançou 0,13%, para 7.610,03 pontos. O Nasdaq Composite, por sua vez, recuou 0,03%, para 27.095,59 pontos.
Na Europa, a maioria dos índices fechou em alta, impulsionados pelo setor de tecnologia e conforme investidores avaliavam novos dados de inflação da zona do euro.
Entre os principais índices da região, o alemão DAX subiu 0,48%, enquanto o londrino Financial Times avançou 0,33% e o francês CAC-40 teve ganhos de 0,77%.
Na Ásia, as bolsas da China fecharam em alta nesta terça-feira (2), impulsionadas por ações de tecnologia e inteligência artificial. O índice de Xangai avançou 0,4%, enquanto o CSI 300 subiu 1,5%.
Em Hong Kong, o Hang Seng saltou 2,5%, puxado pela Tencent, que disparou 10,5% após notícias sobre o desenvolvimento de uma nova ferramenta de IA para usuários do WeChat.
Os investidores também acompanharam com cautela as tensões no Oriente Médio, em meio à troca de ataques entre EUA e Irã.
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