A BMW anunciou nesta quarta-feira (29) que vai cortar milhares de empregos na Alemanha até o fim de 2027 por meio de um programa de demissão voluntária.
A empresa é a mais recente montadora alemã a reduzir seu quadro de funcionários diante da queda dos lucros e da demanda fraca.
O programa de desligamento, negociado entre a montadora e o conselho de trabalhadores, será direcionado às áreas de administração e desenvolvimento, sem atingir as operações de produção, informou um porta-voz da empresa.
Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, o número total de funcionários deve ser reduzido em cerca de 8 mil pessoas.
Com sede em Munique, a BMW emprega atualmente cerca de 150 mil pessoas em todo o mundo.
Outras montadoras alemãs, como Volkswagen e Mercedes-Benz, também anunciaram acordos para eliminar dezenas de milhares de postos de trabalho.
O setor automotivo do país enfrenta pressão devido aos altos custos da transição para veículos elétricos, à forte concorrência das fabricantes chinesas e às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Na segunda-feira, a Porsche, que faz parte do Grupo Volkswagen, ampliou seu plano de reestruturação e anunciou que pretende reduzir cerca de 20% de sua força de trabalho até 2035.
Também nesta quarta-feira, milhares de trabalhadores protestaram na fábrica da Audi em Neckarsulm, outra marca do Grupo Volkswagen. A unidade está entre as quatro fábricas alemãs ameaçadas de fechamento pelos planos de reestruturação da empresa.
A BMW, que até recentemente era vista como uma das montadoras mais estáveis do setor, reduziu em junho sua previsão de lucro para este ano, citando um desempenho na China abaixo do esperado. As vendas de veículos no país vêm caindo acentuadamente nos últimos meses.
Após esse anúncio, o presidente-executivo, Milan Nedeljkovic, afirmou que a empresa aceleraria e intensificaria seus esforços para reduzir custos.
Nesta quarta-feira, durante uma assembleia de trabalhadores em Munique, Nedeljkovic disse aos funcionários que as regras do setor automotivo mudaram de forma significativa e, com isso, também mudou a base do modelo de negócios da BMW, segundo um participante da reunião.
O executivo alertou que a empresa enfrentará um período desafiador, mas afirmou que as medidas são necessárias para tornar a BMW mais lucrativa, de acordo com a fonte.
A montadora divulgará os resultados do segundo trimestre nesta quinta-feira.
BMW vai cortar milhares de empregos na Alemanha até 2027
