O Banco Central (BC) está com inscrições abertas para ação de capacitação nas tecnologias mais avançadas e eficientes para o monitoramento das operações de crédito rural e do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), ministrada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo e por um consultor externo. Batizada de projeto Geotec, em razão do forte uso de geotecnologias e de imagens de satélite, a iniciativa recebe o registro dos interessados até 2 de fevereiro. As inscrições podem ser feitas por aqui.
O público-alvo da capacitação são ténicos de instituições financeiras, cooperativas de crédito, universidades, órgãos públicos (como BC, TCU, Polícia Federal, Ibama, entre outros), institutos públicos de pesquisa e organizações da sociedade civil e pessoas interessadas em se aprofundar no tema. Mil e setecentas pessoas já se inscreveram na capacitação.
Cronograma
A aula inaugural do curso (aula magna) será em 3 de fevereiro. O evento será às 14h30, no Auditório Denio Nogueira e será transmitido pelo Teams – o link da transmissão estará disponível na véspera, no dia 2 de fevereiro, nos perfis do BC no Linkedin e no X. Ele contará com a participação do Diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, e do Chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop), Cláudio Filgueiras, que proferirá a aula magna. Também estará presente o Secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Vanderley Ziger.
O curso, com carga horária de 160 horas e 79 horas de atividades pedagógicas e mentorias, começa no mesmo dia. As aulas (virtuais e transmitidas por meio da plataforma Teams) acontecerão entre 3 de fevereiro e 29 de maio deste ano.

Temas
A ação de capacitação integra conteúdos de sensoriamento remoto e geotecnologias, governança territorial e meteorologia, oferecendo uma base abrangente para análises espaciais e de governança territorial para a tomada de decisão na concessão de crédito.
A disciplina Sensoriamento Remoto e Geotecnologias aborda temas como bancos de dados espaciais, sistemas de informação geográfica, programação aplicada, uso de dados Sicor, impedimentos socioambientais, séries temporais e classificação de imagens, e análise de uso e cobertura da terra com os sistemas Prodes, Deter, TerraClass e MapBiomas.
Em Governança Territorial, são apresentados os fundamentos fundiários, os sistemas cadastrais brasileiros – Cadastro Ambiental Rural (CAR), Sistema de Gestão Fundiária (Sigef), Sistema Nacional de Certificação de Imóveis Rurais (SNCI) e os sistemas cadastrais de unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos rurais –, suas limitações e desafios, além de métodos para tratar sobreposições e construir indicadores fundiários, cadastrais, ambientais, econômicos e de contexto.
Já a disciplina Meteorologia traz os fundamentos de risco agrícola, fenômenos meteorológicos críticos, técnicas de interpolação e estatística espacial, análise de sinistros e modelagem de perdas, integrando dados meteorológicos e territoriais para embasar decisões técnicas e operacionais.
Crédito rural
O crédito rural representa um montante próximo de 13% de todas as operações de crédito do país, impulsionando o setor agropecuário, que segue como um dos principais motores da economia brasileira e vem apresentando forte contribuição direta e indireta para o PIB.
Segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agropecuária cresceu 12,2% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior e 10,2% na comparação anual, impulsionando 1/4 de todo o crescimento da economia no período, mesmo representando cerca de 6,5% da estrutura produtiva nacional.
Em 2024, o agronegócio respondeu por 23,2% do PIB brasileiro, com valor total estimado em R$2,72 trilhões, conforme cálculos da CNA/Cepea. Projeções mais recentes indicam que a participação poderá atingir 29,4% em 2025, o maior nível em 22 anos, impulsionada pelo desempenho da produção de grãos, da pecuária e dos segmentos agroindustriais e de agrosserviços. Esses números reforçam o papel estrutural do agro na geração de renda, no equilíbrio da balança comercial e na sustentação do crescimento econômico nacional.

