Assessor pleno no Dstat, Bruno Tiberto foi um dos vencedores do Central Banking Awards 2026. O servidor do BC venceu a premiação na categoria ‘Economics in Central Banking‘. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (12).
O servidor, que é doutor em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), venceu com o estudo How does central bank independence influence the relationship between inflation, income inequality and poverty?, publicado na versão completa no Journal of International Money and Finance. A versão preliminar do artigo está disponível como Trabalho para discussão do Banco Central do Brasil, número 615. Acesse também o BC Blog e saiba mais sobre o assunto.
O trabalho demonstra, com base em evidência empírica abrangente para 46 países entre 1980 e 2022, que maior autonomia dos bancos centrais reduz os efeitos regressivos da inflação sobre a desigualdade e a pobreza, inclusive ao longo de toda a distribuição de renda, protegendo de forma mais eficaz os grupos de menor renda. “O artigo mostra que a autonomia não apenas neutraliza o impacto regressivo da inflação, mas também protege diretamente os 80% mais pobres, ao mesmo tempo em que reduz os ganhos concentrados no topo da distribuição em períodos inflacionários”, explicou Tiberto.
Outro ponto importante, segundo ele, é que o estudo quantifica esses efeitos de forma muito clara. Um choque inflacionário de 10% pode aumentar desigualdade e pobreza quando a autonomia é baixa, mas esses efeitos são totalmente anulados quando a autonomia está em níveis moderados e se transformam em reduções quando a autonomia é elevada. “Essa mensurabilidade facilita o uso dos resultados por formuladores de política e reforça a relevância institucional do estudo”, defendeu.
“As conclusões do estudo oferecem uma contribuição relevante ao debate institucional brasileiro e internacional, ao evidenciar que o fortalecimento da autonomia do banco central pode gerar ganhos sociais, maior estabilidade macroeconômica e um arcabouço de política monetária mais resiliente e eficaz”, explicou.
Comemoração
Tiberto celebrou bastante a conquista do prêmio – é a primeira vez que o BC (e um brasileiro) vence essa categoria da premiação. “Recebê-lo significa que o trabalho foi avaliado como inovador, relevante e influente no nível mais elevado de policy-making, após análise rigorosa realizada por especialistas internacionais com profundo conhecimento técnico e institucional. Além de ser um reconhecimento acadêmico, a premiação é considerada um selo de excelência global que valida a capacidade do estudo de contribuir para a melhoria das práticas e das políticas conduzidas por bancos centrais em diversas jurisdições”, afirmou.
Ele destacou que a pesquisa oferece evidências robustas sobre como a autonomia do banco central pode proteger os mais vulneráveis dos efeitos regressivos da inflação, contribuindo para um debate institucional de grande relevância para o Brasil e para o cenário internacional.
.jpg)
Importância
Com ênfase em bancos centrais, a Central Banking é uma das principais publicações internacionais especializadas em políticas públicas e mercados financeiros. O Central Banking Awards teve sua primeira edição em 2014 e é amplamente reconhecido como um dos prêmios de maior prestígio global na comunidade de bancos centrais.
No caso específico da categoria Economics in Central Banking, vencida pelo servidor do BC, o prêmio reconhece trabalhos que oferecem avanços significativos para a formulação de políticas, fortalecendo a análise econômica aplicada ao funcionamento de bancos centrais e influenciando decisões concretas em instituições ao redor do mundo.
Dentre os vencedores em anos anteriores nessa categoria estão economistas de destaque internacional, como, por exemplo, Claudio Borio (2015), John Taylor (2016), Alberto Cavallo e Roberto Rigobon (2018), Greg Kaplan (2019), Gita Gopinath (2021) e Tobias Adrian (2025).
Incentivo
O assessor pleno no Dstat lembra que os servidores do Banco Central (ele inclusive) já ganharam diversos prêmios internacionais. Tanto os da Central Banking (como o de Banco Central do Ano, em 2024, e o de melhor gestor de reservas internacionais, em 2023) como outros reconhecidos, como, por exemplo, os da Center for Latin American Monetary Studies (Cemla). “O BC e seu corpo funcional têm excelência e qualidade internacional, atestada diversas vezes por prêmios ou pela constante participação em fóruns técnicos no país e no exterior”, lembrou.
Segundo ele, toda essa trajetória reflete o prestígio crescente do Banco Central do Brasil na comunidade internacional de bancos centrais e torna ainda mais significativa a conquista inédita na área de pesquisa econômica.
Cerimônia
A entrega física do Central Banking Awards 2026 ocorrerá em 10 de junho deste ano, em um jantar de gala, em Londres.

