Will Bank tem R$ 6 bilhões investidos em CDBs que serão ressarcidos pelo FGC


Will Bank liquidado nesta quarta (21) já estava sob intervenção
O Will Bank, que teve a liquidação decretada pelo Banco Central na manhã desta quarta-feira (21), tem R$ 6,3 bilhões investidos em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), de acordo com dados do censo de novembro de 2025, informado pela Will Financeira.
A quantia é elegível para o ressarcimento via Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. Desde terça-feira (20), os clientes que tinham CDBs no Banco Master começaram a receber os pedidos.
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.
Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade.
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
Will Bank: liquidado pelo BC, banco digital cresceu com foco em clientes de baixa renda
Divulgação
Segundo o FGC, os ressarcimentos do Banco Master começaram nesta segunda-feira (19). Cerca de 600 mil credores já fizeram o pedido, de acordo com o balanço divulgado na noite desta segunda.
Desses, 400 mil concluíram o pedido (fizeram o trâmite completo). O FGC estima que 800 mil credores do Banco Master têm direito ao ressarcimento.
Em nota, o FGC afirmou que os pagamentos serão realizados segundo o Regulamento do FGC, com base nos dados e valores que serão determinados pelo Liquidante, nomeado pelo Banco Central.
A quantidade de clientes e o valor a ser pago serão divulgados após a referida consolidação das informações.Cabe destacar que a Will Financeira faz parte do conglomerado Master, o que pode afetar o valor estimado dos desembolsos a serem realizados pelo FGC por conta de alguns beneficiários já terem superado o limite de garantia.
Especificamente, os clientes que adquiriram produtos elegíveis a garantia do FGC antes da aquisição pelo Banco Master, em 21/08/2024, têm a garantia preservada. A partir de 22/08/2024, nos casos em que o cliente possua produtos em ambas as instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de R$ 250 mil. Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro.
Por conta das especificidades de cada liquidação, não existe prazo legal para o início dos pagamentos. Como sempre acontece, os times operacionais empreenderão os maiores esforços para concluir a consolidação das informações no menor tempo possível. Nas últimas liquidações o tempo para início do pagamento esteve entre 30 e 60 dias.
Para assuntos não relacionados ao pagamento de garantias, como quitação de empréstimos, cartão de crédito etc. o contato deve ser estabelecido diretamente com a instituição liquidada (https://www.willbank.com.br).
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No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
Para eventuais dúvidas, o FGC orienta que correntistas e investidores entrem em contato pelo e-mail atendimento.credores@fgc.org.br.
Após a assinatura do termo de solicitação, o FGC informa que a liberação costuma ocorrer em até 48 horas úteis, desde que os dados estejam corretos.
Ainda assim, o período entre a decretação da liquidação e o pagamento aos investidores variou entre 14 e 40 dias nas operações mais recentes.
ENTENDA: O que é FGC e qual seu papel no caso do Banco Master?
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Aplicativo do Will Bank
Will Bank/Divulgação
Veja o passo a passo para solicitar o reembolso pelo FGC
Segundo o FGC, o pedido de pagamento da garantia para pessoas físicas deve ser feito pelo aplicativo do fundo, disponível no Google Play e na Apple Store.
“No aplicativo do FGC, você pode conferir as instituições em regime especial decretado pelo Banco Central e se já é possível solicitar o pagamento de garantia, além de receber notificações para acompanhar o seu pedido”, informou o fundo.
Veja o passo a passo:
Baixe o aplicativo do FGC e complete o cadastro, informando nome completo, CPF e data de nascimento;
Solicite o pagamento de garantia. Essa etapa só ficará disponível após o envio, pelo liquidante, da lista completa de credores e valores devidos ao fundo.
Depois, basta informar uma conta bancária de sua titularidade para receber os recursos, realizar a validação biométrica e enviar eventuais documentos solicitados.
Clientes do Will Bank não conseguem realizar operações financeiras após liquidação
Reprodução
Para pessoas jurídicas, o FGC informa que o representante legal da empresa deve solicitar a garantia por meio do Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações, o fundo envia um e-mail com o passo a passo necessário.
“O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa”, informa o FGC.
Nos casos em que o pagamento precisar ser feito a inventariantes ou ao espólio, o FGC tratará diretamente com os beneficiários, não sendo possível fazer a solicitação pelo aplicativo.
⚠️ATENÇÃO: Valores que ultrapassarem o limite de cobertura do FGC, de R$ 250 mil, permanecerão sujeitos ao processo de liquidação do Banco Master. Nessa situação, o credor passa a integrar a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento dos valores.
O que aconteceu com o Banco Master?
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano passado.
🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
O Banco Master já enfrentava risco de falência devido ao alto custo de captação e a investimentos considerados arriscados. O caso mais conhecido era a emissão títulos de renda fixa, os CDBs, que pagavam até 40% acima da taxa média do mercado. (veja aqui o que acontece com investidores)
O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Master. Na última semana, a Polícia Federal realizou uma segunda fase da operação, que incluiu buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estavam entre os alvos.
Aplicativo e cartão do Will Bank
Will Bank/Divulgação
Segundo as investigações:
O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.
Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca.
Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para “socorrer” o caixa do Banco Master.
Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF.
Além disso, o Master era conhecido por comprar precatórios e investir em empresas em dificuldade.
Para evitar a quebra, foram realizadas tentativas de venda do banco, o que inclui uma proposta do BRB. Todas acabaram canceladas, envoltas em questionamentos, pressões políticas e falta de transparência.
A EFB Regimes Especiais de Empresas foi designada para conduzir a administração especial. Com a liquidação, qualquer negociação de compra em andamento é automaticamente interrompida.
Infográfico – Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master
Arte/g1
Sede do Banco Master
Divulgação/Banco Master

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