Vilão do endividamento, cartão de crédito rotativo cresceu no pós‑pandemia; empréstimos beiraram R$ 400 bilhões em 2025


O uso do cartão de crédito rotativo, a linha de crédito mais cara do mercado financeiro, disparou após o fim da pandemia da Covid-19 e beirou a marca de R$ 400 bilhões no ano passado. Os números são do Banco Central.
A modalidade é considerada um dos vilões do alto nível de endividamento da população brasileira.
Em um ano eleitoral, o governo do presidente Luiz Luiz Inácio Lula da Silva se movimenta para reduzir os débitos da população e facilitar a tomada de crédito pelas pessoas (veja mais abaixo nessa reportagem).
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➡️Segundo a autoridade monetária, 101 milhões de pessoas no Brasil usam cartão de crédito no país. Isso quer dizer que quase a metade do povo brasileiro tem cartão de crédito.
➡️De acordo com dados do Banco Central, cerca de 40 milhões de brasileiros estavam com dívida no cartão de crédito rotativo em janeiro deste ano.
➡️Com juros elevados, a taxa de inadimplência dessa linha de crédito somou 63,5%, ou seja, mais de R$ 60 em R$ 100 emprestados não foram honrados.
A taxa de juros dessa linha de crédito, a mais alta de todas, somou 436% ao ano em fevereiro deste ano. No crédito consignado, por exemplo, as taxas variam de cerca 24% a 60% ao ano.
O crédito rotativo do cartão de crédito é acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento.
Segundo analistas, essa forma de crédito deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.
Em janeiro de 2024, o Congresso e o governo limitaram o endividamento do cartão de crédito rotativo. Desde então, ficou determinado que o valor do débito não pode exceder o valor original da dívida.
Se a dívida for de R$ 100, por exemplo, a dívida total, com a cobrança de juros e encargos, não poderá exceder R$ 200.

Reprodução/TV Globo
Considerada parte do salário
No mês passado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que as pessoas estão tomando linhas de crédito que deveriam ser usadas somente em momentos emergenciais, como o rotativo do cartão de crédito, como parte de sua renda, e isso deveria ser alvo de uma “discussão estrutural”.
“Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada à situação dele”, disse o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
De acordo com Galípolo, a ideia é tentar “produzir arranjos mais saudáveis para quem está buscando crédito”, ou seja, linhas de crédito mais adequadas.
Para facilitar a concessão do crédito com taxas menores, o governo lançou, no ano passado, o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, com mais de R$ 80 bilhões liberados em um ano.
A regulamentação do uso do saldo do FGTS dos trabalhadores como garantia aos empréstimos, algo prometido pelo governo como um diferencial da modalidade, uma forma de baixar os juros aos trabalhadores, porém, ainda não saiu do papel.
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Uso do cartão de crédito rotativo
De acordo com dados do Banco Central, entre 2012 e 2020, a concessão de crédito (desembolsos) por meio do cartão de crédito rotativo não tinha ultrapassado R$ 225 bilhões em um ano. As variações anuais intercalaram períodos de altas e baixas.
O ano de 2020, principalmente, e de 2021 foram marcados pelo pagamento do Auxílio Emergencial, valores excepcionais pagos à população durante a pandemia, para permitir o afastamento social.
Os dados do cartão de crédito mostram que, no período que coincide com a saída da pandemia e retorno de um patamar mais pesado de inflação, as concessões do cartão de crédito rotativo dispararam.
➡️Com o fim do Auxílio Emergencial a partir de 2022, as concessões de novos empréstimos no cartão de crédito rotativo alcançaram novos patamares (veja abaixo), atingindo quase R$ 400 bilhões em 2025.
➡️Esse período pós-pandemia também foi marcado por fortes pressões inflacionárias, com o índice oficial atingindo mais de 10% em 2021, a maior em seis anos, e cerca de 5,8% em 2022.
Soluções em estudo
O governo brasileiro trabalha, neste momento, em um ano eleitoral, em um novo programa para reduzir o nível de endividamento da população.
A estratégia envolve unificar as dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em uma só, que seria refinanciada com descontos que iriam de 30% a 80% nos juros, com possibilidade de os bancos chegarem a um desconto de até 90%.
Dentro do mesmo programa de refinanciamento de dívidas, o governo analisa autorizar o uso de recursos do FGTS para pagamento de dívidas, mas com limites para evitar uma sangria dos recursos. As duas medidas foram admitidas pelo próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan.

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