Presidente do BRB vai à Faria Lima para negociar venda de ativos comprados do Master


PF abre inquérito pra investigar suspeita de gestão fraudulenta no BRB
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, decidiu vender as carteiras de crédito adquiridas do Banco Master para compradores na Faria Lima. Ele viaja nesta quarta-feira (4) para São Paulo, onde pretende negociar as transações presencialmente.
Segundo o blog apurou, a diretoria do banco está em contato com players do mercado para tentar vender ativos de interesse, mas que o BRB não tem interesse em ficar. Por exemplo, um terreno próximo à região da Cidade Jardim, em São Paulo, localização nobre e de alto valor de mercado.
A lista também inclui imóveis, restaurantes e outros bens que podem contribuir com a recomposição do caixa do banco após a aquisição de créditos de baixa qualidade.
Na prática, o BRB está vendendo ativos com objetivo de reduzir riscos depois da crise envolvendo o Banco Master. A venda deve atrair principalmente fundos especializados em ativos problemáticos, que compram com grande desconto para tentar recuperar parte do valor depois.
🔎Também podem entrar na disputa bancos e gestoras de crédito, interessados apenas nos trechos mais “limpos” da carteira. Já os imóveis tendem a atrair investidores do setor imobiliário, com negociações separadas para ativos de maior valor, como os terrenos.
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Reprodução/TV Globo
Após a liquidação extrajudicial do Master, uma operação da Polícia Federal passou a investigar um suposto esquema de fraudes bilionárias do banco de Daniel Vorcaro, em que o BRB teria comprado R$ 12 bilhões em carteiras de crédito de baixa qualidade, pertencentes ao Master e sem garantia financeira.
O banco administrado pelo governo do Distrito Federal vinha comprando créditos do Master desde 2024, na gestão da Presidência do BRB anterior, de Paulo Henrique Costa.
Inclusive, chegou a anunciar um acordo para comprar o banco de Daniel Vorcaro em março de 2025, em uma operação estimada em R$ 2 bilhões. A transação, no entanto, foi vetada pelo Banco Central em setembro.
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A relação entre o BRB e o Master está entre os alvos de investigação da Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco de Daniel Vorcaro. O presidente do banco regional na época das negociações, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo e, posteriormente, demitido de forma definitiva.
No lugar dele, assumiu Nelson Antônio de Souza, atual dirigente da instituição.
Inquérito de fraudes financeiras
A suspeita de fraudes financeiras na gestão do BRB também levou a PF a abrir um novo inquérito, especificamente sobre o caso, na última semana. A informação foi divulgada pela colunista Míriam Leitão, do jornal “O Globo”, e o blog também teve acesso.
O novo inquérito foi aberto porque há indícios de práticas de gestão fraudulenta além das já apontadas envolvendo a proposta de compra do Banco Master, na investigação de supostas fraudes financeiras relacionadas ao banco de Daniel Vorcaro.
A PF apura uma aquisição “pulverizada” — ou seja, fragmentada e dificultada de rastreamento — de ações do Banco de Brasília (BRB) por empresários ligados ao Banco Master e à Reag Investimentos.
Segundo a investigação, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-sócio do Master Maurício Quadrado e o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos João Carlos Mansur compraram ações do BRB como pessoas físicas, mas por meio de vários fundos e estruturas intermediárias, o que teria dificultado a identificação dos reais compradores.

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