
Os preços do ouro e da prata reagiram com forte alta nesta terça-feira, após uma liquidação acentuada nas duas sessões anteriores. O movimento colocou o ouro a caminho de sua maior valorização diária desde novembro de 2008, à medida que investidores aproveitaram os preços mais baixos em um cenário de fundamentos ainda considerados sólidos.
O ouro à vista subia 6,9%, para US$ 4.985,44 por onça, por volta das 11h40 (horário da Costa Leste dos EUA; 16h40 GMT), recuperando-se da mínima de segunda-feira, de US$ 4.403,24. Ainda assim, o metal permanecia abaixo do recorde histórico registrado na semana passada, de US$ 5.594,82. Os contratos futuros de ouro nos Estados Unidos para entrega em abril avançavam 7,7%, para US$ 5.011 por onça.
A prata registrava alta ainda mais expressiva, com avanço de 11,7%, a US$ 88,74 por onça, após ter sofrido uma queda recorde de 27% em um único dia na sexta-feira e recuado mais 6% na segunda-feira.
“Vejo as perdas recentes como um movimento corretivo dentro de uma tendência de alta de longo prazo”, afirmou Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals. Segundo ele, muitos dos fundamentos que impulsionaram o ouro nos últimos anos continuam firmemente presentes.
“Neste momento, é provável que vejamos um período de consolidação, com US$ 4.400 funcionando como um nível importante de suporte na queda e uma resistência possivelmente em torno de US$ 5.100 na alta”, acrescentou Grant.
Os metais preciosos recuaram fortemente nas últimas duas sessões após a indicação de Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve, em substituição a Jerome Powell, que deixará o cargo em maio. Os investidores esperam que Warsh apoie cortes de juros, mas promova um aperto no balanço do banco central.
Além disso, a CME Group elevou as exigências de margem para contratos futuros de metais preciosos, o que também pressionou os preços.
Apesar da volatilidade recente, analistas, de forma geral, seguem projetando a continuidade do mercado de alta, com o ouro podendo alcançar novos recordes ainda neste ano.
“Esperamos que os preços retomem sua trajetória de alta no longo prazo, em um ritmo mais sustentável, à medida que os investidores continuam extremamente preocupados com as condições econômicas e políticas”, afirmou Jeffrey Christian, sócio-gerente da CPM Group.
O ouro é amplamente visto como um ativo de proteção e tende a ter bom desempenho em ambientes de juros baixos. Enquanto isso, o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos informou na segunda-feira que o aguardado relatório de emprego de janeiro não será divulgado nesta sexta-feira, devido à paralisação parcial do governo federal.
Entre outros metais, a platina à vista subia 6%, para US$ 2.248,20 por onça, enquanto o paládio avançava 4,8%, a US$ 1.802,43.
Barras de ouro
Fábio Venâncio / Tv Globo
Ouro caminha para maior alta diária desde 2008; prata acompanha
