Dólar abre em clima de cautela com Fed, Copom e tensões geopolíticas


Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar iniciou a sessão desta segunda-feira (26) de olho no cenário interno e externo. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
A última semana de janeiro concentra atenção em decisões de política monetária nos EUA e no Brasil, além de movimentos políticos internacionais que podem influenciar os mercados e gerar cautela entre investidores.
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▶️ No Brasil, o Banco Central divulga nesta segunda-feira as projeções de economistas para o boletim Focus. Já na quarta-feira, o Copom deve manter a taxa de juros sem alterações, em linha com expectativas do mercado.
▶️ Nos EUA, cresce a expectativa em torno da escolha do novo presidente do Fed. Fontes indicam que o presidente Donald Trump pode sinalizar nesta semana o nome do sucessor de Jerome Powell, levantando questionamentos sobre a autonomia do banco central.
▶️ Trump também voltou a ameaçar impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo comercial com a China. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país não busca fechar esse tipo de acordo, gerando incerteza entre investidores e aversão ao risco.
▶️ As incertezas aumentam com a possibilidade de nova paralisação do governo americano, diante da resistência de democratas em votar o Orçamento sem mudanças na área de segurança, após o assassinato de Alex Pretti por agentes federais.
▶️ Em meio ao movimento conhecido como “sell America”, o Ibovespa fechou a sexta‑feira em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos, renovando o recorde histórico e superando os 178 mil pela primeira vez.
Na máxima da sessão, o índice atingiu 180.532,28 pontos, ultrapassando pela primeira vez os 180 mil e marcando a nova máxima histórica intradiária.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -1,60%;
Acumulado do mês: -3,68%;
Acumulado do ano: -3,68%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +8,53%;
Acumulado do mês: +11,01%;
Acumulado do ano: +11,01%.
Redução nas tensões geopolíticas
“Acordo” sobre a Groenlândia
Os embates entre os EUA e a União Europeia a respeito dos planos americanos de anexação da Groenlândia ganharam um novo capítulo nesta semana. Na véspera, o presidente Donald Trump afirmou que obteve garantias de “acesso total e permanente” dos EUA à Groenlândia a partir de um acordo ainda em negociação.
A declaração veio após o republicano recuar das ameaças de impor tarifas à Europa e descartar o uso da força para assumir o controle da ilha, o que trouxe alívio aos mercados e reduziu, momentaneamente, a tensão entre Washington e seus aliados.
👉 A mudança de tom foi bem recebida pelas bolsas europeias e ajudou os principais índices de Wall Street a retornar a níveis recordes.
Ainda assim, autoridades europeias avaliam que os danos à confiança política e econômica podem ser duradouros. Para a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, as relações com os EUA “sofreram um grande golpe” nos últimos dias.
Os líderes europeus acreditam que Trump recuou em parte porque — ao contrário da sua postura mais conciliadora nas negociações tarifárias do ano passado — desta vez deixaram claro que ele estava ultrapassando um limite ao desafiar a soberania da Groenlândia.
“Tudo isso demonstra que não podemos deixar os americanos pisotearem os europeus “, disse um funcionário da União Europeia à Reuters.
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Os termos do acordo seguem indefinidos. Em entrevista à Fox Business, no entanto, Trump afirmou que o acordo garantiria “acesso total” aos EUA e seria “muito mais generoso” para o país.
De acordo com a Reuters, Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordaram em iniciar novas negociações entre EUA, Dinamarca e Groenlândia para atualizar o acordo de 1951, que regula a presença militar americana na ilha.
A proposta incluiria restrições a investimentos chineses e russos na região. Segundo uma das fontes, trata-se apenas de “uma estrutura sobre a qual construir”, sem detalhes fechados.
Negociações trilaterais
O início da primeira parte das negociações entre EUA, Rússia e Ucrânia também ajudaram a reduzir os riscos geopolíticos no mercado. Esta é a primeira vez desde o início da guerra que os três países se sentam juntos para negociar a paz.
Com Trump, os EUA assumiram o papel de único país capaz de buscar o fim do conflito. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta sexta a jornalistas que os negociadores discutirão o controle territorial da região de Donbas, no leste da Ucrânia.
Ainda não se sabe todos os detalhes das negociações em Abu Dhabi, apenas que ela não envolve, em um primeiro momento, os líderes dos três países.
O líder da delegação russa será o almirante Igor Kostyukov —e não o assessor do Kremlin Yuri Ushakov principal negociador russo;
A Ucrânia enviou seus principais negociadores —uma combinação de civis, diplomatas e autoridades de segurança;
A delegação dos EUA é liderada pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner. Um novo elemento é o assessor da Casa Branca Josh Gruenbaum.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados fecharam a sessão desta sexta-feira sem direção única.
Ao final da sessão, o Dow Jones Industrial Average caiu 0,58%, enquanto o S&P 500 avançou 0,02%. O Nasdaq Composite, por sua vez, avançou 0,28%.
Na Europa, os mercados caíram enquanto investidores avaliavam acontecimentos do Fórum Econômico Mundial em Davos.
Além disso, nesta sexta-feira EUA, Ucrânia e Rússia iniciram a primeira rodada de negociações trilaterais sobre o conflito ucraniano.
No fechamento, o índice europeu STOXX 600 caiu 0,1%, acumulando queda de 1,1% na semana e interrompendo uma sequência de cinco semanas de altas.
Entre as bolsas nacionais, Londres recuou 0,07%, Paris perdeu 0,07%, Milão caiu 0,58%, Madri registrou baixa de 0,67% e Lisboa teve queda de 0,54%. Frankfurt foi a única exceção do dia, com avanço de 0,18%.
Na Ásia, as bolsas encerraram o dia com resultados variados, após uma semana marcada pelo aumento das ações regulatórias na China.
As autoridades chinesas intensificaram medidas contra práticas consideradas irregulares, como manipulação de preços e informações enganosas, com o objetivo de conter negociações especulativas.
Os principais índices do continente terminaram o pregão com movimentos mistos. Em Xangai, o SSEC subiu 0,33%, enquanto o CSI300 caiu 0,45%. O Hang Seng, em Hong Kong, avançou 0,45%.
Em outros mercados, o Nikkei, de Tóquio, subiu 0,4%; o KOSPI, de Seul, aumentou 0,76%; o TAIEX, de Taiwan, ganhou 0,68%; e o Straits Times, de Cingapura, avançou 1,26%.
*Com informações da agência de notícias Reuters
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