
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (6) em alta, cotado a R$ 5,31, conforme investidores seguem cautelosos diante da escalada das tensões no Oriente Médio. Já as operações no Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam apenas às 10h.
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▶️ O aumento das tensões no Oriente Médio, voltam a guiar os mercados nesta sexta-feira. Este 7º dia de conflito começou com novos ataques dos EUA e de Israel ao Irã e ao Líbano. O governo americano ainda afirmou que entrou em uma nova fase da guerra, que envolve um “aumento drástico” do poder de fogo sobre o território iraniano, novos ataques ao programa de mísseis de Teerã e bombardeios à “infraestrutura do regime” dos aiatolás.
Com temores sobre eventuais impactos do conflito no mercado de petróleo, a commodity sinalizava mais um dia de alta nesta. Pela manhã, os índices futuros do barril do Brent, referência internacional, subiam mais de 4% perto das 9h, cotado a US$ 88,85.
▶️ No noticiário local, as atenções seguiam voltadas aos desdobramentos da nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banqueiro chegou nesta quinta-feira à Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, e deve ficar em isolamento por 10 dias.
A nova fase da Operação Compliance Zero revelou que o banqueiro comandava uma “milícia privada” chamada “A Turma”. O grupo era usado para intimidar e espionar adversários e também acessava ilegalmente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e da Interpol. Dois servidores do Banco Central também estariam envolvidos.
▶️ Na agenda econômica, o destaque fica com os novos dados do payroll, relatório de emprego oficial dos Estados Unidos. O indicador deve dar novos sinais sobre quais podem ser os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros do país.
▶️ O resultado da Petrobras, divulgado na véspera, também fica no radar. A companhia informou um lucro de R$ 110, 1 bilhões em 2025, uma alta de 200% em relação a 2024. O resultado positivo da estatal ocorreu mesmo diante de um cenário considerado desafiador, marcado pela queda nos preços do petróleo no último ano.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +2,97%;
Acumulado do mês: +2,97%;
Acumulado do ano: -3,68%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -4,41%;
Acumulado do mês: -4,41%;
Acumulado do ano: +12%.
Oriente Médio e petróleo
A preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz e em meio às incertezas sobre a duração da guerra voltou a se refletir nos preços do petróleo.
O barril do Brent, referência internacional, subia 3,39% perto das 17h, cotado a US$ 84,16. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 6,38%, para US$ 79,42.
Os ataques a navios que transportam petróleo continuaram nesta quinta-feira, segundo informações da agência Reuters. O petroleiro Sonangol Namibe, que navega com bandeira das Bahamas, informou que sofreu danos no casco após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque.
Ao mesmo tempo, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Segundo dados de empresas que monitoram navios, cerca de 300 petroleiros estão parados na região, aguardando condições mais seguras para seguir viagem.
O conflito também se intensificou em terra. Na madrugada de quinta-feira, o Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo.
Analistas do banco J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Caso o bloqueio continue, cerca de 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado.
O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo.
Já o Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações — uma medida usada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor dizem que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal.
Agenda econômica
Desemprego no Brasil
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador. Ela lembra que, na virada do ano, é comum que a taxa de desocupação suba ao longo do primeiro trimestre, movimento que ainda pode aparecer nos próximos resultados.
“Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho”, explicou.
Veja os destaques da pesquisa:
Taxa de desocupação: 5,4%
Taxa de subutilização: 13,8%
População desocupada: 5,9 milhões
População ocupada: 102,7 milhões
População fora da força de trabalho: 66,3 milhões
População desalentada: 2,7 milhões
Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões
Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões
Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões
Trabalhadores informais: 38,5 milhões
Ela também destacou que, na comparação anual, houve melhora mais clara no indicador. “Quando olhamos para o mesmo trimestre do ano passado, há uma queda significativa da taxa de desocupação”, acrescentou.
Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram em 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, em dado com ajuste sazonal, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA. Economistas consultados pela Reuters esperavam um número ligeiramente maior, de 215 mil solicitações.
O mercado de trabalho norte-americano ainda se recupera de um período de incerteza vivido no ano passado.
Na época, economistas apontaram que as tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump — com base em uma lei voltada a situações de emergência nacional — geraram insegurança econômica e afetaram as contratações.
Posteriormente, essas tarifas foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. Em resposta, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre importações e afirmou que a alíquota deverá subir para 15%.
Apesar disso, economistas avaliam que o mercado de trabalho pode ganhar fôlego ao longo deste ano, impulsionado por cortes de impostos que tendem a estimular a atividade econômica e a demanda.
Outro levantamento divulgado nesta quinta-feira pela empresa de recolocação Challenger, Gray & Christmas mostrou que empregadores sediados nos EUA anunciaram 48.307 cortes de vagas em fevereiro.
O número representa uma queda de 55% em relação a janeiro e de 72% na comparação com fevereiro do ano passado.
Os planos de contratação, por sua vez, aumentaram 140% frente a janeiro, mas ainda ficaram 63% abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025.
Mercados globais
Em Wall Street, a escalada das tensões no Irã voltaram a pressionar os mercados americanos. O clima de cautela ganhou força depois que o Irã lançou mísseis contra Israel e após senadores republicanos bloquearem uma tentativa de interromper os ataques aéreos conduzidos pelos EUA.
Perto das 17h30, o índice Dow Jones recuava 1,83%. O S&P 500 caía 1,02%, e o Nasdaq Composite tinha baixa de 0,64%.
As bolsas europeias encerraram o pregão desta quinta-feira no campo negativo, em meio a um cenário internacional ainda marcado pelas tensões no Oriente Médio.
O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 1,29%, aos 604,83 pontos. Entre os principais mercados da região, o DAX, da Alemanha, caiu 1,61%, para 23.815,75 pontos; o FTSE 100, do Reino Unido, cedeu 1,45%, a 10.413,94 pontos; e o CAC 40, da França, teve baixa de 1,49%, encerrando aos 8.045,80 pontos.
Já os mercados asiáticos operaram em alta, acompanhando uma recuperação regional.
A pressão vinda da guerra no Oriente Médio foi compensada pelo entusiasmo dos investidores com ações de tecnologia chinesas, após Pequim anunciar planos para aumentar investimentos em inovação. Esse otimismo ajudou a impulsionar os principais índices da China e de Hong Kong.
No fechamento, o índice de Xangai avançou 0,6%, enquanto o CSI300 subiu 1%. O Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 0,3%.
Outros mercados asiáticos também tiveram fortes ganhos: o Nikkei, em Tóquio, subiu 1,9%, chegando a 55.278 pontos; o KOSPI, em Seul, avançou 9,63%, para 5.583 pontos; e o TAIEX, em Taiwan, teve alta de 2,57%, alcançando 33.672 pontos.
Notas de dólar.
Luisa Gonzalez/ Reuters

