Dívida alta e apostas arriscadas: entenda a crise da Raízen


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A Raízen informou nesta quarta-feira que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias.
Segundo a companhia, o plano já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% desse valor, o que, de acordo com a empresa, demonstra apoio relevante à proposta de reestruturação das obrigações financeiras.
O pedido ocorre após um período de pressão sobre as contas da companhia, marcado pelo aumento do endividamento e por dificuldades operacionais.
Nos últimos anos, a Raízen ampliou investimentos em projetos ligados à transição energética, mas parte dessas iniciativas apresentou retorno mais lento do que o esperado.
Origem e aposta em novos projetos
A empresa foi criada em 2011 a partir de uma joint venture entre a Shell e o grupo Cosan, controlado por Rubens Ometto. Desde então, consolidou-se como a maior produtora mundial de etanol de cana-de-açúcar e uma das principais companhias do setor sucroenergético no país.
A partir de 2016, a companhia intensificou os investimentos em projetos de longo prazo, em grande parte financiados com dívida.
Entre as iniciativas estava a expansão da produção de etanol de segunda geração (E2G), tecnologia baseada no aproveitamento de resíduos da cana para a produção de biocombustível.
A estratégia partia da expectativa de que combustíveis com menor impacto ambiental poderiam ganhar espaço no mercado, em meio ao avanço das políticas e discussões globais sobre transição energética.
Ao mesmo tempo em que ampliava investimentos nesse tipo de tecnologia, o setor passou a registrar o crescimento do etanol de milho, que avançou com custos competitivos e estrutura produtiva mais simples.
Diversificação de negócios
Nos últimos anos, a companhia também expandiu sua atuação para diferentes frentes de negócios, incluindo atividades de trading, projetos de geração solar e uma parceria voltada à operação de lojas da rede Oxxo no Brasil.
Movimentos no nível da holding Cosan também influenciaram o cenário do grupo. Entre eles, um investimento bilionário em ações da mineradora Vale, que acabou perdendo valor em meio às oscilações do mercado de commodities.
Deterioração dos resultados financeiros
A deterioração do quadro financeiro aparece nos resultados mais recentes da companhia. No ano fiscal de 2021/2022, a Raízen registrou lucro líquido de R$ 3 bilhões, com dívida líquida de R$ 13,8 bilhões e alavancagem equivalente a 1,3 vez o Ebitda.
Nos anos seguintes, esses indicadores se deterioraram. Até o terceiro trimestre do ano fiscal de 2025/2026, o prejuízo acumulado chegou a R$ 15,6 bilhões, influenciado por uma provisão não caixa de R$ 11 bilhões. No mesmo período, a dívida líquida alcançou R$ 55,322 bilhões e a alavancagem subiu para 5,3 vezes o Ebitda.
Tentativa de reorganização
Em teleconferência recente, executivos da empresa afirmaram que a estratégia atual envolve retomar o foco nas atividades consideradas centrais do negócio, como a produção de açúcar e etanol e a distribuição de combustíveis e lubrificantes.
Nos últimos anos, a companhia também iniciou um processo de venda de ativos e de saída de operações consideradas menos alinhadas ao núcleo das atividades.
As tentativas de reforçar o capital da empresa, no entanto, esbarraram em divergências entre os sócios. Diante do aumento das pressões financeiras e da cobrança de credores, a companhia passou a buscar uma solução mais ampla para reorganizar sua estrutura de capital — movimento que culminou no pedido de recuperação extrajudicial.
*Reportagem em atualização
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Divulgação/Raízen

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