Contas públicas têm déficit de R$ 16,4 bilhões em fevereiro; dívida sobe para 79,2% do PIB

As contas do setor público consolidado apresentaram um superávit primário de R$ 16,4 bilhões em fevereiro, informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira (31).
🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de superávit primário.
🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.
Na comparação com fevereiro do ano passado, houve pequena melhora, uma vez, que o saldo positivo, no segundo mês de 2025, foi de R$ 19 bilhões (sem correção pela inflação).
Veja abaixo o desempenho que levou ao déficit das contas em fevereiro deste ano:
governo federal registrou saldo negativo de R$ 29,5 bilhões;
estados e municípios tiveram saldo superavitário de R$ 13,7 bilhão;
empresas estatais apresentaram déficit de R$ 568 milhões.
Parcial do ano
No acumulado dos dois primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um superávit primário de R$ 87,3 bilhões — o equivalente a 4,23% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com isso, houve relativa estabilidade na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo positivo de R$ 85,1 bilhões (4,36% do PIB).
No caso somente do governo federal, o resultado ficou positivo em R$ 53,7 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um superávit de R$ 54,6 bilhões nos dois primeiros meses de 2025.
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).
Após despesas com juros
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 100,6 bilhões nas contas do setor público em fevereiro.
➡️No acumulado em 12 meses até fevereiro, foi registrado um resultado negativo (déficit) de R$ 1,09 trilhão, ou 8,5% do PIB.
🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, patamar elevado.
Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,03 trilhão (8,1% do PIB) em doze meses até fevereiro deste ano.

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