Após escândalo no banco Master, Haddad quer Banco Central fiscalizando e regulando fundos de investimento, hoje na CVM

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que, no seu ponto de vista, os fundos de investimento, atualmente na alçada da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão vinculado oficialmente ao Ministério da Fazenda, deveriam passar a ser regulados e fiscalizados pelo Banco Central.
Liquidada pelo Banco Central, a Reag, que já vinha sendo investigada pela Polícia Federal por suspeitas de envolvimento com a facção criminosa PCC, também entrou no foco da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Fundos foram usados para inflar artificialmente o patrimônio do Master – que também já havia sido liquidado pelo Banco Central.
“Apresentei uma proposta, que esta sendo discutida no âmbito do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do BC. Tem coisa que deveria estar no BC, e que está na CVM. O Banco Central tem de passar a fiscalizar os fundos, há intersecção grande hoje entre fundos, finanças. Isso tem impacto sobre a contabilidade pública, a conta remunerada, as compromissadas”, afirmou o ministro, em entrevista ao UOL.
Ele explicou que essa é apenas uma opinião sua, não de governo, mas que o tema já está sendo discutido pelo Executivo. “Entendo que seria uma resposta muito boa nesse momento ampliarmos o poder de fiscalização sobre os fundos pelo Banco Central. Fica em um lugar só, que é mais ou menos o desenho dos BCs em países desenvolvidos”, acrescentou Haddad.
O ministro disse, ainda, que a fraude no banco Master foi “herdada” pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, pela gestão anterior, de Roberto Campos Neto (indicado por Jair Bolsonaro) – que deixou o comando da autoridade monetária no fim de 2025.
“Herdou um problema, que é o banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Galípolo ‘descascou o abacaxi’ com a responsabilidade de ter um processo robusto para justificar as decisões duras que teve de tomar. Mas foi uma herança, o Galípolo herdou esse enorme problema, esse grande abacaxi, resolvendo com competência”, disse o ministro da Fazenda.

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