O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (21) que o instrumento aprovado pelo Congresso Nacional que permite ao Brasil adotar reciprocidade nas relações comerciais com os Estados Unidos é diferente de retaliação e de vingança.
Em entrevista à rádio Bandeirantes FM, ele afirmou que o Brasil “vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário”.
“O problema é que precisamos primeiro dimensionar qual a medida que eventualmente poderia corresponder à uma reciprocidade. Segundo, se ela não poderia produzir um efeito negativo reflexo, se o prejuízo não poderia ser maior aqui do que lá. Se você for adotar a reciprocidade, precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo”, declarou o ministro.
A declaração foi dada no primeiro dia de vigência da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país.
A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.
As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política.
A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida.
Reciprocidade: ministro diz que Brasil vai usar instrumento quando for necessário: ‘Precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo’
