Petróleo dispara e passa de US$ 111 após Trump ameaçar Irã novamente


Bombas de extração de petróleo inativas em um campo agrícola em Dacano, Colorado, nos EUA.
Kevin Mohatt / Reuters
O preço do petróleo registrou forte alta nesta segunda-feira (18), impulsionado pelo alerta do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o “tempo está correndo” para Teerã, à medida que as negociações entre os EUA e o Irã para um fim definitivo da guerra estão estagnadas.
O petróleo Brent, a referência internacional, subiu 1,9% e atingiu US$ 111,31 por barril (cerca de R$ 563,76). O valor representa uma disparada em comparação ao final de fevereiro, antes do início da guerra com o Irã, quando a commodity era negociada a cerca de US$ 70 o barril. Nos EUA, o petróleo de referência saltou 2,3%, cotado a US$ 107,83 por barril (cerca de R$ 546,13).
A escalada de preços reflete o temor dos investidores após Trump publicar em uma rede social, após ligação com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que o Irã deve se mexer rápido “ou não sobrará nada deles”.
O mercado mantém forte cautela sobre o fluxo global de energia, uma vez que o Estreito de Ormuz permanece majoritariamente fechado e os EUA impuseram, desde o mês passado, um bloqueio marítimo aos portos iranianos. O clima de tensão piorou no fim de semana após um ataque de drone contra uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos.
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“Os riscos de uma nova escalada estão aumentando”, escreveram Warren Patterson e Ewa Manthey, estrategistas de commodities do ING. Eles destacaram que a reação do mercado também reflete a falta de resultados tangíveis sobre a guerra após a cúpula entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.
Embora a Casa Branca tenha afirmado que ambos concordam que o Estreito de Ormuz deve reabrir, e que Xi sinalizou que a China “gostaria de ajudar”, ainda não está claro como Pequim usará sua influência econômica com o Irã.
Impacto nos mercados globais
A alta dos custos de energia elevou as expectativas de avanço da inflação e derrubou as bolsas globais. Na Ásia, a maior parte das ações recuou:
Tóquio (Nikkei 225): caiu 0,9%, para 60.843,09 pontos.
Hong Kong (Hang Seng): perdeu 1,6%, para 25.543,32 pontos.
Xangai (Composto): recuou 0,1%, impactado também por dados fracos do varejo chinês em abril.
Austrália (S&P/ASX 200): caiu 1,4%.
Nova York: Os contratos futuros dos EUA recuaram mais de 0,6%, após os índices S&P 500 (-1,2%), Dow Jones (-1,1%) e Nasdaq (-1,5%) fecharem em queda na sexta-feira.
A pressão inflacionária do petróleo também impulsionou o rendimento dos títulos públicos. O rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA subiu para cerca de 4,63%, bem acima do patamar de quase 4% registrado antes da guerra.
No Japão, o rendimento dos títulos de 10 anos do governo saltou para 2,8%, o nível mais alto desde o final dos anos 1990, impulsionado pelas expectativas de inflação e pela elevação gradual de juros pelo Banco do Japão.
No mercado de câmbio, o dólar americano se fortaleceu e subiu para 159,02 ienes japoneses. O euro operou em leve alta a US$ 1,1626.
*Com informações da Associated Press.

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