Aplicação a partir de R$ 1, rendimento atrelado à Selic: como funciona o novo Tesouro Reserva


Governo lança o Tesouro Reserva, novo investimento com aplicação a partir de R$ 1
Divulgação
Um novo tipo de investimento do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para aplicação em títulos públicos, já está disponível para investidores que buscam alternativas mais simples e com previsibilidade de rendimento.
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O Tesouro Reserva é lançado oficialmente nesta segunda-feira (11) como alternativa à poupança, aos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e às caixinhas digitais dos bancos. O novo título permite aplicações a partir de R$ 1 e tem rentabilidade atrelada à taxa básica de juros, a Selic.
🔎 O investimento se diferencia do já conhecido Tesouro Selic pela simplificação: o Tesouro Reserva tem aplicação mínima menor, permite resgate a qualquer momento e não traz a mesma complexidade da chamada marcação a mercado — mecanismo que atualiza diariamente o preço dos títulos e que pode afetar o valor recebido pelo investidor em caso de resgate antecipado. (leia mais abaixo)
Alguns clientes do Banco do Brasil (BB) já tiveram acesso ao investimento durante a fase de testes. A liberação integral para os correntistas começou na última quinta-feira (7). Hoje, ocorre o tradicional toque da campainha na B3, a bolsa de valores brasileira, dando início à oferta do título ao público geral.
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o novo título.
O que é o Tesouro Reserva?
Quais as condições de aplicação e resgate?
Qual a rentabilidade e o risco?
Onde e como investir?
Por que concorre com CDBs?
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O que é o Tesouro Reserva?
É um novo título de dívida pública do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para investimentos em papéis públicos. Segundo o Ministério da Fazenda, o produto foi criado para formação de reserva financeira, “com foco em simplicidade e previsibilidade”.
Quais as condições de aplicação e resgate?
O Tesouro Reserva terá investimento mínimo de R$ 1. Segundo especialistas, isso democratiza e facilita o acesso por investidores iniciantes.
O sistema permite investir e resgatar o dinheiro a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, inclusive com possibilidade de transferência via PIX.
“Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]”, avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
O vencimento do papel será de 3 anos, mas o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem descontos.
Qual a rentabilidade e o risco?
O novo título terá rendimento atrelado à Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,50% ao ano. Ainda não foi detalhado, porém, se a rentabilidade será equivalente a 100% da taxa.
Por ser um título público de renda fixa emitido pelo governo federal, o investimento é considerado de baixo risco. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto mira quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”.
🔎 O investimento não está sujeito à volatilidade diária típica da chamada marcação a mercado — mecanismo que faz o valor de títulos oscilar diariamente conforme mudam as expectativas do mercado para os juros e a inflação.
Na prática, isso significa que o valor aplicado não sofrerá oscilações no momento da compra ou do resgate, trazendo mais previsibilidade ao investidor.
Onde e como investir?
O investimento já está disponível para clientes do Banco do Brasil, que desenvolveu o produto em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional.
Segundo o Ministério da Fazenda, a oferta do título em outras instituições financeiras dependerá da adesão e implementação por parte de cada banco.
A pasta acrescenta que, para investir, o processo segue o fluxo tradicional do Tesouro Direto: o cliente do Banco do Brasil deve acessar a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, selecionar o Tesouro Reserva, definir o valor da aplicação e confirmar a operação.
Nos demais bancos, a operação deverá funcionar de forma semelhante após a disponibilização do título.
Por que concorre com CDBs?
Por ser um investimento prático, com valor mínimo baixo, resgate a qualquer momento e rendimento atrelado à Selic, o Tesouro Reserva se torna uma alternativa interessante aos CDBs, às caixinhas digitais e à poupança, dizem especialistas.
“O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.
Relembre os conceitos de CDBs, LCIs, LCAs e caixinhas digitais:
💰Os CDBs são investimentos de renda fixa em que o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de juros.
🏠 As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) são títulos de renda fixa usados pelos bancos para financiar o setor imobiliário, geralmente isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.
🌾 As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) funcionam de forma semelhante às LCIs, mas os recursos são direcionados ao financiamento do agronegócio.
🐷 Já nas caixinhas digitais, o banco organiza e aplica automaticamente o dinheiro do cliente em investimentos de renda fixa voltados a objetivos específicos.
“Em relação aos custos, a B3 ainda não divulgou qual será a taxa. Atualmente, os títulos do Tesouro Direto têm taxa próxima de 0,20% ao ano, cobrada em duas parcelas semestrais. No caso do Tesouro Reserva, isso ainda não está claro”, acrescenta Mendes.
Marcos Praça, da ZERO Markets, tem a mesma leitura. Ele avalia que o Tesouro Reserva tende a ser uma alternativa competitiva para a reserva de emergência, principalmente pela combinação entre segurança, rapidez no saque e previsibilidade.
“Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador”, conclui.

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