Brasil não é o único agindo para conter efeitos da guerra: veja o que outros países estão fazendo, alguns com medidas inusitadas


A equipe econômica brasileira adotou uma série de ações nos últimos meses para tentar conter o impacto da alta do preço do petróleo – decorrente da guerra no Oriente Médio – no custo de vida da população.
🌎Mas o governo brasileiro não está agindo isoladamente. Vários outros países também estão adotando medidas, algumas inusitadas, para enfrentar as consequências da guerra.
Após pouco mais de dois meses de conflito, o Ministério da Fazenda anunciou redução de impostos federais, subsídio ao diesel, fechou um acordo com os estados para uma ajuda financeira aos importadores do combustível e, mais recentemente, medidas para o gás de cozinha e querosene da aviação.
⛽Também foram anunciadas pelo governo brasileiro linhas de crédito aos setores afetados e fiscalização para evitar abusos nos preços dos combustíveis.
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➡️Vários outros países também têm se movimentado para mitigar os efeitos do conflito sobre suas economias, com a adoção de medidas semelhantes àquelas anunciadas pelo Brasil (redução de impostos e subsídios aos setores afetados).
➡️Alguns deles têm ido um pouco mais além, com controle de preços e até mesmo medidas consideradas mais heterodoxas (não convencionais), para conter a demanda da população e do setor produtivo por combustíveis e energia elétrica.
💵Os efeitos mais claros que as nações têm buscado diminuir são o aumento da inflação, por conta do repasse da disparada do petróleo aos combustíveis e preços domésticos de energia, e o impacto da crise no crescimento econômico e no bem estar das populações.
No caso do Brasil, especialistas avaliam que os efeitos não são tão graves, pelo fato de o país ser exportador de petróleo (o que gera ingresso de divisas no país e impacto menor no câmbio) e ter biocombustíveis.
Por outro lado, ainda tem de importar parte do diesel e da querosene de aviação consumidos internamente.
Entre as medidas mais curiosas adotadas por alguns países, estão:
só usar ar-condicionado com temperaturas mais altas;
fechar de universidades;
limitar para abastecimento de combustíveis;
congelar tarifas e de preços;
realizar reuniões online para funcionários públicos;
reduzir viagens oficiais de longa distância;
evitar deslocamentos em horários de pico;
fechar diariamente o centro administrativo às 18h para desligar luzes e os aparelhos eletrônicos;
limitar iluminação comercial e pública;
limitar e racionar uso de gás natural e gás de cozinha;
determinar trabalho remoto às sextas-feiras para servidores públicos;
incentivar estratégias de economia de energia em prédios governamentais;
solicitar que veículos particulares não circulem um dia por semana e limitar o acesso a estacionamentos públicos de acordo com as placas dos veículos;
reduzir a semana escolar de cinco para três dias;
limitar aumento de preços de combustíveis a apenas uma vez por dia;
subsidiar combustíveis por meio de cartão para as famílias;
fixar apoio direcionado para pensionistas, cuidadores e pessoas com deficiência;
subsidiar motoristas de ônibus, táxi, entregadores, motoristas de aplicativos de transporte;
declarar emergência energética nacional;
promover auditorias energéticas;
viagens de ônibus gratuitas para estudantes e trabalhadores em cidades selecionadas;
aumentar preços de placas de veículos estrangeiros;
congelar preços dos combustíveis para cozinhar;
anunciar apoio ao aquecimento para consumidores vulneráveis;
incentivar o compartilhamento de carros.
Ações anunciadas pelos países
Os Estados Unidos e Israel atacaram instalações fundamentais para o programa nuclear iraniano, além de unidades produtoras de petróleo e gás do Irã
Getty Images via BBC
De acordo com painel da Agência Internacional de Energia (AIE), pelo menos 39 países já adotaram ações para conter os impactos da disparada do petróleo e do custo da energia.
A Agência Internacional de Energia (AIE) é um fórum de energia criado em 1974, composto por 29 países industrializados que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Entre as medidas adotadas, segundo o levantamento, estão:
Alemanha: limitou o aumento de preços da gasolina e diesel a apenas uma vez por dia.
África do Sul: reduziu taxação de combustíveis.
Austrália: reduziu imposto sobre combustíveis, concedeu empréstimos sem juros para apoiar as empresas mais afetadas e incentivou os cidadãos a reduzirem voluntariamente o consumo de combustível para ajudar a garantir o abastecimento.
Argentina: adiaou aumentos nos impostos sobre combustíveis e permitiu maior teor de bioetanol na mistura de gasolina.
Bangladesh: limitou o uso de ar-condicionado a temperaturas acima de 25 graus, determinou fechamento de universidades públicas e privadas; determinou ao público e às empresas que evitem iluminação desnecessária e estabeleceu limites de abastecimento de combustível para veículos, além de incentivar o transporte público.
Brunei: limitou a compra de combustível para veículos estrangeiros e veículos nacionais que saem do país.
Camboja: reduziu imposto sobre combustíveis e tarifa de de importação para produtos relacionados a veículos elétricos, energias renováveis ​​e fogões elétricos; aumentou a supervisão governamental para evitar a especulação de preços nos postos de gasolina; está realizando reuniões online para funcionários públicos, está incentivando a limitação da temperatura a 24-25 graus em repartições públicas; reduziu viagens oficiais de longa distância e está evitando deslocamentos em horários de pico. A empresa estatal de eletricidade está incentivando o público a reduzir o consumo de eletricidade.
Cingapura: incentivou o público a conservar energia e usar eletrodomésticos eficientes.
Chile: congelou ou conteve o aumento das tarifas do transporte público nas cidades; estabeleceu créditos para táxis comprarem veículos elétricos; suspender crédito diferenciado para combustíveis e congelou os preços da querosene.
China: impôs controles aos preços do petróleo refinado no mercado interno.
Coreia do Sul: fixou teto para o preço dos combustíveis domésticos; proibição dirigir por dois dias na semana, com base na placa do veículo, para funcionários do setor público; fez campanha sobre ações práticas e solicitou que as principais empresas consumidoras de petróleo reduzam o consumo de energia. Também solicitou que veículos particulares não circulem um dia por semana e limitou o acesso a estacionamentos públicos de acordo com as placas dos veículos.
Croácia: limitou preços do petróleo e do diesel e reduzir imposto sobre combustíveis.
Egito: fixou um dia de trabalho remoto para o setor público; limitou as viagens de funcionários públicos; fechou diariamente capital administrativa às 18h para desligar as luzes e os aparelhos eletrônicos; pediu à população que economize combustível, limitou iluminação comercial e pública; promoveu o transporte público e exigir que as administrações governamentais reduzam o consumo de combustível.
Eslováquia: limitou a compra de combustível, aumentou os preços das placas de veículos estrangeiros.
Eslovênia: limitou temporariamente compras de combustível e reduziu imposto especial de consumo sobre gasolina, diesel e óleo de aquecimento.
Espanha: reduziu o IR para reformas, instalação de energia solar e medidas de eletrificação, baixou o imposto sobre o consumo sobre combustíveis e suspendeu o imposto especial de consumo sobre hidrocarbonetos. Também alterar a regulamentação para promover novas comunidades energéticas e outras modalidades de autoconsumo.
Etiópia: incentivou o público a ser “frugal” no uso de combustível.
Filipinas: anunciou subsídios de combustível para motoristas de ônibus, táxi, entregadores, motoristas de aplicativos de transporte e trabalhadores do setor de transportes, para combustíveis e fertilizantes para agricultores e pescadores; reduziu impostos sobre combustíveis; anunciou uma semana de trabalho de 4 dias para funcionários públicos; incentivou limitar da temperatura a 24 graus em repartições públicas; limitar viagens governamentais não essenciais; declarou emergência energética nacional; solicitou que órgãos públicos reduzam o consumo de combustível, pediu aos consumidores que limitem a demanda e promoveu auditorias energéticas; além de viagens de ônibus gratuitas para estudantes e trabalhadores em cidades selecionadas.
Índia: reduziu o imposto sobre combustíveis e diesel, limitou o consumo de gás natural pela indústria, acelerou a implantação de gás natural canalizado para substituir o GLP, e racionou o uso comercial de GLP.
Irlanda: estendeu subsídio de combustível e aumentou o desconto no diesel; reduziu o imposto especial de consumo sobre gasolina e diesel e diminuição e fixou apoio direcionado para pensionistas, cuidadores e pessoas com deficiência.
Indonésia: aumentou orçamento estatal para subsídios aos combustíveis; fixou trabalho remoto às sextas-feiras para servidores públicos; limitou as viagens de funcionários públicos; incentivou estratégias de economia de energia em prédios governamentais e acelerou programa de biodiesel.
Itália: reduziu impostos sobre combustíveis.
Laos: fixou trabalho remoto e turnos rotativos para funcionários públicos; reduziu a semana escolar de cinco para três dias; fez campanha para incentivar a economia de combustível; incentivou o transporte público e reduziu do imposto sobre veículos elétricos.
França: esta fornecendo apoio temporário direcionado a setores-chave, como transportes, pesca e agricultura.
Grécia: limitou as margens de lucro sobre combustíveis por três meses; subsidiou o diesel, o cartão de combustível para famílias e fertilizante para agricultores.
Hungria: limitou os preços dos combustíveis.
Japão: reduziu impostos sobre combustíveis.
México: fechou acordo com os distribuidores de combustíveis para limitar os preços da gasolina.
Moçambique: limitou os preços dos combustíveis no varejo.
Namíbia: reduziu impostos sobre combustíveis.
Nova Zelândia: anunciou um pacote de ajuda a famílias vulneráveis.
Reino Unido: anunciou apoio ao aquecimento para consumidores vulneráveis; acelerou o Plano de Casas Aquecidas e, também, trabalho para aprovar a energia solar plug-in e realizou declarações ministeriais contra a especulação de preços de combustíveis.
República Checa: reduziu o imposto sobre o consumo e limitou as margens de lucro dos revendedores de combustíveis.
Senegal: fez um apelo à população para adaptar os hábitos de consumo de energia.
Suécia: reduziu temporariamente o imposto sobre combustíveis para veículos.
Tailândia: incentivou trabalho remoto e as videoconferências; incentivar a limitação da temperatura de ar condicionado a 26 graus; está evitando viagens internacionais de funcionários públicos, pedir aos funcionários de escritório que limitem o consumo de energia; incentivou o compartilhamento de carros e limitou viagens desnecessárias; aumentou a mistura de biocombustíveis; congelou preços dos combustíveis para cozinhar até maio e forneceu subsídios para combustíveis no âmbito do Fundo de Combustíveis Petrolíferos.
Turquia: reduziu imposto sobre combustíveis.
Vietnã: reduziu tarifas de importação de combustível até 30 de abril, fornecer fundos extras ao mecanismo de estabilização de preços de combustível existente; incentivou o trabalho remoto, limitou viagens de funcionários públicos, solicitar que governos locais ajudem a economizar energia, desencorajou o uso de veículos particulares e está promovendo o uso do transporte público, além do compartilhamento de carros.
Zâmbia: reduziu o imposto sobre consumo sobre gasolina e diesel.

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