Maior fornecedor de fertilizantes do Brasil, Rússia interrompe exportações de nitrato de amônio por um mês


Guerra no Oriente Médio impacta preço dos fertilizantes
A Rússia, que controla até 40% do comércio global de nitrato de amônio, disse nesta terça-feira (24) que vai interromper as exportações do fertilizante por um mês, até 21 de abril, para garantir estoque suficiente durante a temporada de plantio da primavera, segundo a Reuters.
O país é o principal fornecedor de fertilizantes para o Brasil. Em 2025, a Rússia foi responsável por 25,9% dos adubos químicos comprado pelo Brasil, segundo dados do Ministério do Comércio Exterior.
A Rússia não tem capacidade para aumentar a produção este ano em meio a uma crise de abastecimento global causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 24% do comércio global de amônia, um ingrediente do nitrato de amônio.
O Ministério da Agricultura russo informou que suspendeu todas as licenças emitidas para exportação de nitrato de amônio e não emitirá novas licenças, com exceção daquelas referentes a contratos governamentais. A Rússia produz um quarto do nitrato de amônio do mundo.
“No contexto da crescente demanda de exportação de fertilizantes nitrogenados, a suspensão de seu fornecimento ao exterior permitirá que as necessidades do mercado interno sejam priorizadas durante a temporada de trabalho de campo da primavera”, disse o ministério.
Por que o Brasil depende da Rússia para comprar fertilizantes?
Por que paralisar as exportações
O nitrato de amônio é amplamente utilizado na agricultura no início da temporada de plantio. A Rússia tem limites de exportação em vigor desde 2021, enquanto os produtores foram solicitados pelo governo a priorizar o fornecimento ao mercado interno em vez das exportações.
A Rússia exporta nitrato de amônio para o Brasil, Índia, Peru, Mongólia, Marrocos e Moçambique. Também exportou uma pequena quantidade de nitrato de amônio para os EUA em 2024.
Em fevereiro, drones ucranianos atingiram a fábrica de Dorogobuzh, no oeste da Rússia, o principal ativo de produção da Acron, que produz cerca de 11% do nitrato de amônio da Rússia. Não se espera que a fábrica esteja totalmente operacional antes de maio.
O nitrato de amônio também é usado na produção de explosivos.
China restringe exportações de fertilizantes; país é um dos principais fornecedores do Brasil
Por que o Brasil precisa comprar fertilizantes fora?
No mercado de fertilizantes, existem três insumos que são os mais relevantes, que formam o NPK, aponta Cicero Lima, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV AGRO). São eles:
o nitrogênio (N), que o Brasil importa 95%;
o fosfato (P), o qual 75% é comprado no exterior;
e o potássio (K), com 91% vindo de fora do país.
O consultor Carlos Cogo aponta os principais motivos que explicam essa dependência. Veja abaixo.
➡️Faltam matérias-primas: no país, não há muitas reservas de componentes que são fundamentais para a produção dos fertilizantes, principalmente nitrogênio e potássio.
O potássio, por exemplo, está concentrado em países como Canadá, Rússia e Bielorrússia, que dominam o mercado mundial.
Já a indústria nacional de nitrogenados é pequena, porque a produção exige gás natural barato. Assim, perde competitividade frente a países como EUA, Rússia e Catar.
No caso do fosfato, as reservas têm qualidade inferior e são mais caras de explorar.
➡️Demanda grande: a produção nacional não consegue atender tudo o que a agricultura brasileira consome de fertilizante.
Apesar de ser grande produtor de alimentos, o Brasil tem solo pobre em nutrientes. Por isso, precisa de adubação frequente para manter a produtividade. Saiba mais abaixo.
Essa procura por fertilizante vem, principalmente, de produtos como a soja, milho, café e cana-de-açúcar.
➡️ Altos custos: importar sai mais barato, porque a logística no Brasil é cara e a infraestrutura é limitada, aponta Cogo.
O Brasil tem um Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022. A meta é produzir entre 45% e 50% do insumo que o país consome até 2050.
Para isso, o governo pretende gastar mais de R$ 25 bilhões até 2030, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.
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