Ataques a infraestruturas de gás e temor de escalada no Oriente Médio afetam bolsas mundiais

Trump ameaça destruir totalmente parte iraniana do maior campo de gás do mundo
A escalada do conflito no Oriente Médio fez os preços do petróleo e do gás dispararem e levou as bolsas mundiais a operar em queda nesta quinta-feira (19). A tensão aumentou após novos ataques do Irã contra o Catar e ameaças de retaliação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Com o risco de uma nova alta da inflação global, bancos centrais adotam cautela em relação a possíveis cortes nas taxas de juros.
Na Europa, três das quatro principais bolsas europeias registravam quedas de 2% ou mais por volta do meio-dia. Pouco depois das 12h30 locais, Frankfurt tinha a maior baixa, de -2,56%, seguida por Milão (-2,46%) e Londres (-2,19%). O índice francês CAC 40 recuava 1,83%.
Nos Estados Unidos, Wall Street também abriu em baixa, com os contratos futuros dos três índices em queda (-0,37% para o Dow Jones, -0,54% para o Nasdaq e -0,38% para o S&P 500).
Mesmo com uma leve acomodação ao meio-dia, a alta dos preços do petróleo e do gás continuava causando preocupação nos mercados. O petróleo Brent, referência global, estava cotado a US$ 113,92 o barril (alta de 6,09% em relação ao dia anterior).
No início da manhã, o Brent chegou a US$ 118,03, um aumento de 10% em relação ao dia anterior. O contrato futuro holandês TTF, referência europeia para gás natural, também subiu 17,47%, para € 64,21 por megawatt-hora.
Escalada dos ataques Nas últimas 24 horas, importantes campos de petróleo e gás no Oriente Médio, ao redor do Golfo, foram alvos de ataques, aumentando os temores de uma crise de produção e abastecimento. “A escalada geopolítica atingiu um novo patamar”, observou o analista John Plassard, chefe de estratégia de investimentos do Cité Gestion Private Bank.
“Os mercados de ações estão sendo pressionados pelo medo, pelos ataques a instalações de GNL (gás natural liquefeito) no Catar e pelo fato de o Fed não ter pressa em socorrer os mercados”, disse Neil Wilson, analista da Saxo Markets.
“Israel atacou o campo de gás de South Pars, no Irã, provocando retaliação de Teerã, que lançou ataques contra o terminal de gás natural liquefeito de Ras Laffan, no Catar, e ameaçou realizar novos ataques contra outros países do Golfo”, observou ele.
No Kuwait, na manhã de quinta-feira, duas refinarias também foram incendiadas após um ataque com drones.
Banco da Inglaterra mantém juros O Banco da Inglaterra (BoE) manteve sua taxa básica de juros inalterada em 3,75% na quinta-feira, seguindo a liderança do Fed no dia anterior, e adiando indefinidamente o retorno à meta de inflação, devido à disparada dos preços da energia.
“A guerra no Oriente Médio elevou os preços da energia globalmente. Isso já é visível nos postos de gasolina e, se continuar, contribuirá para contas de energia mais altas para as famílias este ano”, alertou o presidente do Banco Central britânico, Andrew Bailey.
Na quarta-feira, o Fed, como esperado, manteve sua taxa básica de juros inalterada, mas seu presidente, Jerome Powell, alertou que “as repercussões dos eventos no Oriente Médio sobre a economia dos EUA são incertas”. “No curto prazo, o aumento dos preços da energia elevará a inflação geral”, advertiu ele.
Reunião do BCE Os mercados aguardam agora a reunião do Banco Central Europeu (BCE), na tarde de quinta-feira. Não se espera que as taxas de juros no bloco subam, diante da alta dos preços do petróleo e dos riscos de inflação na zona do euro. Mas a mensagem de sua presidente, Christine Lagarde, será analisada com atenção.
“A declaração do BCE provavelmente será restritiva, possivelmente indicando um aperto da política monetária ainda este ano, dependendo da duração do conflito no Oriente Médio e de seu impacto a médio prazo nos preços do petróleo”, prevê o analista Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote.
O conflito levou a uma quase paralisação do Estreito de Ormuz pelo Irã – uma importante via navegável por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. O impacto já é sentido na Europa nos preços dos combustíveis e nas empresas, principalmente nas que consomem muita energia. Caso o conflito continue, isso poderá enfraquecer ainda mais o crescimento – já fraco – da zona do euro e impulsionar a inflação, o pior cenário para o BCE.
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