
Morango importado do Egito derruba preços e preocupa produtores da Região Serrana do ES
A chegada do morango importado do Egito ao Brasil tem pressionado produtores do Espírito Santo e reduzido a renda de famílias que vivem da cultura da fruta. Agricultores afirmam que o produto estrangeiro chega ao país com preço mais baixo do que o custo de produção local, o que dificulta a competição no mercado.
Em 2022, o Brasil comprou pouco mais de 4 mil toneladas do morango egípcio, enquanto que, no ano passado, esse número saltou para cerca de 42 mil toneladas.
📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp
Para se ter uma ideia de como funciona a concorrência atualmente, o custo médio de produção da fruta na Região Serrana capixaba varia entre R$ 15 e R$ 16 por quilo. Enquanto isso, o produto africano entra no Brasil custando cerca de R$ 8 por quilo.
“Como é que o produtor vai sobreviver tendo custo de R$ 16 e vendendo morango a R$ 10 ou R$ 11, para tentar equilibrar a concorrência?”, questionou o secretário de Agropecuária de Santa Maria de Jetibá, Vanderlei Marquez.
Morango importado do Egito derruba preços e preocupa produtores no Espírito Santo
TV Gazeta
LEIA TAMBÉM:
MÃO DE OBRA DO CAFÉ: Carteira assinada para atuar na colheita diminui exploração e não tira benefícios como Bolsa Família
MUDAS PLANTADAS HÁ 18 ANOS: Parreira gigante produz 500 quilos de uva por ano, até 25 vezes mais do que uma videira comum
CHOCOLATE DE CAFÉ? Produtores do ES investem no doce feito com grãos especiais
O produtor do município, Regilvan Barbosa, cultiva cerca de 14 mil pés de morango em estufa e sente na pele o problema. Segundo ele, a situação se agravou porque, nos últimos 12 meses, os custos de produção locais ainda aumentaram em torno de 15%.
“Quando entraram esses morangos importados, ficou mais difícil para a gente. A região de Santa Maria de Jetibá é grande produtora e a agricultura familiar sente muito”, afirmou Barbosa.
O cenário desmotiva os produtores e impacta a economia capixaba. Vale lembrar que o Espírito Santo é o quarto maior produtor de morango do Brasil, com uma produção que gira em torno de 10.000 toneladas por ano.
As áreas plantadas se concentram em toda a Região Serrana. Santa Maria de Jetibá compõe com os municípios de Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Afonso Cláudio, o chamado Polo de Morango do estado.
🍓 Calda do morango do amor: aprenda a receita e confira dicas de confeiteiras
Morango importado do Egito derruba preços e preocupa produtores no Espírito Santo
TV Gazeta
Pedido de elevação da tarifa de importação
De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura do Espírito Santo, os produtores capixabas já reduziram os preços para tentar competir com o morango importado do Egito, vendido no Brasil principalmente na forma ultra congelada e usado pela indústria na fabricação de sucos e polpas.
No entanto, a alíquota de importação é considerada baixa pelo governo estadual, em torno de 4%. Para tentar reduzir o impacto sobre os produtores locais, o governo capixaba enviou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária pedindo que a questão seja analisada pela Câmara de Comércio Exterior.
A proposta é discutir a elevação da tarifa de importação para equilibrar as condições de competição no mercado.
“O morango do Egito chega ao país por cerca de R$ 7 ou R$ 8 o quilo para a indústria. Esse valor fica abaixo do custo de produção da maioria das propriedades que cultivam morango no Espírito Santo e no Brasil. Então, o que queremos é equilíbrio. O morango de fora pode vir, mas precisa haver uma relação justa entre o custo de produção aqui e o custo da importação”, afirmou o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli.
Cooperativas também sentem impacto
A concorrência também atinge cooperativas que comercializam morango congelado para a indústria. Em Santa Maria de Jetibá, uma cooperativa precisou reduzir o valor pago aos agricultores para manter a competitividade.
Segundo o diretor comercial Geovane Schulz, a fruta egípcia tem características que agradam à indústria.
“O clima do Egito, é muito frio à noite e quente de dia, isso que faz o morango no caso ter a maior qualidade de sabor e aí para continuar sendo competitivo e conseguir se dar saída ao ano que vem pelo cooperado, teve que abaixar o preço na ponta e também consequentemente baixar para o cooperado”, explicou.
Cooperativas do Espírito Santo também comercializam morango congelado para a indústria
TV Gazeta
No passado, produtores chegaram a receber cerca de R$ 7,50 por quilo. Atualmente, o valor varia entre R$ 2,50 e R$ 5. O cenário começou a desestimular novos plantios.
“Hoje, o produtor está bem desanimado. A gente vende também mudas e percebeu muitas desistências de plantio para 2026″, afirmou Schulz.
Alternativas para o produtor
Pesquisadores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) recomendam que agricultores busquem diversificar as lavouras com outras frutas para reduzir riscos econômicos. Entretanto, a transição não acontece rapidamente.
“Aprender a trabalhar com outra cultura leva tempo, assim como implantar uma nova lavoura. Para quem depende apenas do morango, isso pode trazer problemas muito sérios para a renda da família”, explica a pesquisadora Andrea Costa.
Guerra no Oriente Médio pode brecar importação de morangos pelo Brasil e beneficiar produtores do Espírito Santo
TV Gazeta
Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo
Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
Morango importado do Egito derruba preços e deixa fruta produzida no ES menos competitiva no mercado
