
Sede do Washington Post
(Foto AP/Alex Brandon, Arquivo)
O Washington Post, jornal americano que pertence ao bilionário Jeff Bezos, fundador da Amazon, iniciou nesta quarta-feira (4) uma ampla rodada de demissões que deve reduzir significativamente o tamanho da redação. Os cortes atingem todos os departamentos do jornal, segundo a gravação de uma reunião interna obtida pela agência Reuters.
De acordo com a agência, a notícia foi comunicada aos funcionários pelo editor-chefe executivo, Matt Murray. As demissões alcançam as editorias internacional, de edição, cobertura local e esportes.
A medida ocorre poucos dias depois de o jornal, fundado há mais de 145 anos, reduzir sua cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 diante do aumento das perdas financeiras.
“Por muito tempo, operamos com uma estrutura muito ligada à época em que éramos quase um monopólio como jornal local”, afirmou Murray na ligação. “Precisamos encontrar um novo caminho e construir uma base mais sólida.”
Entre os profissionais afetados estão a repórter responsável pela cobertura da Amazon, Caroline O’Donovan, a chefe do escritório do Cairo, Claire Parker, além de outros correspondentes e editores do Oriente Médio, segundo publicações feitas por elas na rede social X.
Em nota à Reuters, o jornal afirmou que as demissões fazem parte de uma reestruturação ampla. “O Washington Post está adotando hoje medidas difíceis, porém decisivas, para o seu futuro. Essas ações buscam fortalecer a empresa e concentrar esforços em um jornalismo diferenciado, que nos distingue e, principalmente, envolva nossos leitores”, informou o comunicado.
Todos os setores afetados
No ano passado, o Washington Post anunciou mudanças em áreas administrativas e cortes de pessoal, afirmando que a redação não seria afetada. O jornal, que pertence ao fundador da Amazon, Jeff Bezos, ofereceu pacotes de desligamento voluntário em 2023 após registrar prejuízo de US$ 100 milhões.
“Se Jeff Bezos não está mais disposto a investir na missão que definiu este jornal por gerações e a servir os milhões que dependem do jornalismo do Post, então o jornal merece outro responsável”, afirmou o sindicato dos jornalistas do veículo (WaPo Guild) em publicação na rede X.
Na semana passada, a equipe responsável pela cobertura da Casa Branca enviou uma carta a Bezos afirmando que as reportagens mais relevantes dependem da colaboração com setores ameaçados pelos cortes e que uma redação diversa é essencial em um momento de crise financeira.
Ao comprar o jornal, em 2013, Bezos disse que preservaria sua tradição jornalística e que não participaria da gestão diária, embora tenha reconhecido que mudanças seriam inevitáveis.
*Reportagem em atualização
Washington Post, de Jeff Bezos, promove demissões em massa e reduz um terço da equipe
