Europa registra crescimento modesto e se vê ameaçada por dólar baixo e valorização do euro


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Layen, discursa durante a 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça
Reuters
A economia europeia registrou crescimento modesto no fim do ano passado, superando turbulências relacionadas ao aumento de tarifas dos Estados Unidos. Agora, porém, enfrenta um novo obstáculo: um euro mais forte em relação ao dólar, o que pode pesar sobre as exportações.
O crescimento nos 21 países que utilizam a moeda comum europeia foi de 0,3% nos últimos três meses de 2025, repetindo o resultado do terceiro trimestre, informou a agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, na sexta-feira (30). Em comparação com o quarto trimestre de 2024, a alta foi de 1,3%.
O crescimento moderado contrariou temores de recessão vistos no início do ano, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou elevar tarifas a níveis que poderiam devastar o comércio. As negociações resultaram em um teto de 15% para as tarifas americanas — ou impostos de importação — sobre produtos da União Europeia. A taxa mais alta não é ideal para os negócios, mas a previsibilidade trazida pelo acordo permitiu que as empresas ao menos seguissem com seus planejamentos.
Essa segurança foi abalada após o fim do trimestre, quando Trump, em 17 de janeiro, ameaçou países-membros da UE com tarifas mais altas por apoiarem a Groenlândia diante de seus apelos por uma tomada de controle dos EUA sobre o território. Mais tarde, ele recuou da ameaça.
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O setor de serviços europeu — uma categoria ampla que vai de salões de beleza a tratamentos médicos — mostrou crescimento moderado, segundo a pesquisa da S&P Global com gerentes de compras. As exportações despencaram, e a indústria continua atrás, mas apresentou melhora no fim de 2025. A inflação mais baixa, de 1,9% em dezembro — após um pico doloroso em 2022–2023 — e a alta dos salários deram aos consumidores mais poder de compra e disposição para gastar.
A ameaça mais recente é a forte queda do dólar frente ao euro. A moeda americana está em seu nível mais fraco em quatro anos e meio, o que torna as exportações europeias menos competitivas em preço em um mercado externo importante.
O dólar enfraqueceu devido a temores de que as tarifas de Trump desacelerem o crescimento e de que seus ataques ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, prejudiquem o papel do banco central dos EUA como combatente da inflação e guardião do valor da moeda. O euro subiu 14,4% frente ao dólar nos últimos 12 meses e era negociado a US$ 1,19 na sexta-feira.
Analistas afirmam que, se a fraqueza do dólar frente ao euro continuar, o Banco Central Europeu poderá cortar as taxas de juros ainda este ano para estimular o crescimento. O BCE realiza uma reunião de política monetária na quinta-feira, mas não se espera mudança nas taxas neste encontro.
A Alemanha apresentou melhora no crescimento, com alta de 0,3% no trimestre — seu melhor desempenho trimestral em três anos — mas ainda enfrenta dificuldades sérias no curto e no longo prazo. A maior economia da zona do euro ainda aguarda que os investimentos em infraestrutura e defesa, iniciados pelo chanceler Friedrich Merz, gerem efeitos por meio de maior crescimento. A Alemanha cresceu 0,2% no ano passado, seu primeiro ano de expansão após dois anos de retração da produção. Na quarta-feira, o governo reduziu sua projeção de crescimento para este ano, de 1,3% para 1%.
O país enfrenta uma série de problemas: preços mais altos de energia após a perda do gás natural russo devido à guerra na Ucrânia, escassez de mão de obra qualificada, aumento da concorrência chinesa em setores-chave de exportação como automóveis e máquinas industriais, anos de subinvestimento em infraestrutura que impulsiona o crescimento e excesso de burocracia.
O crescimento na União Europeia como um todo, composta por 27 países, também foi de 0,3% no quarto trimestre de 2025 e de 1,4% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Nem todos os membros da UE adotaram o euro, que ganhou seu 21º integrante em janeiro, quando a Bulgária passou a usar a moeda comum.

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