
Arquivo/Agência Brasil
A taxa média de juros cobrada pelos bancos em operações com pessoas físicas e empresas subiu 6,5 pontos percentuais em 2025 – e fechou o mês de dezembro em 47,2% ao ano.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Banco Central.
O aumento de 6,5 pontos percentuais registrado em 2025 foi o maior desde 2022 — quando a taxa média de juros dos bancos cresceu 7,8 pontos percentuais.
O juro foi calculado com base em recursos livres – ou seja, não inclui os setores habitacional, rural e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
➡️Em 2025, a taxa Selic subiu 2,25 pontos percentuais e, atualmente, está no maior nível em quase 20 anos. Com isso, os bancos não só repassaram o aumento dos juros básicos da economia, definidos pelo BC para conter a inflação — como também elevaram sua taxa acima disso.
De acordo com o BC, o juro médio cobrado nas operações com empresas subiu de 21,7% ao ano, em dezembro de 2024, para 25% ao ano no fim do ano passado. A alta foi de 3,3 pontos percentuais.
Já nas operações com pessoas físicas, a taxa avançou de 53,1% ao ano, em dezembro de 2024, para 60,1% ao ano no fechamento do último ano. A alta foi de 7 pontos percentuais.
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Cheque especial e cartão de crédito
🔎No cheque especial das pessoas físicas, a taxa subiu de 134,8% ao ano, em dezembro de 2024, para 138,6% ao ano no fechamento do ano passado. O aumento foi de 3,8 pontos percentuais em 2025.
🔎Já a taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo, por sua vez, recuou de 451,6% ao ano, no fim de 2024, para 438% ao ano em dezembro do ano passado. A queda do juro do cartão de crédito rotativo foi de 13,6 pontos percentuais em 2025.
Mesmo com o recuo em 2025, o juro do cartão de crédito rotativo segue elevado. Isso acontece apesar de o Conselho Monetário Nacional (CMN) ter limitado, desde janeiro de 2023, o valor total da dívida dos clientes no cartão de crédito rotativo. O valor do débito não pode mais exceder 100% da dívida original.
Se a dívida for de R$ 100, por exemplo, a dívida total, com a cobrança de juros e encargos, não poderá exceder R$ 200. O custo do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), entretanto, está fora desse cálculo. Isso vale somente para débitos contraídos a partir de janeiro.
Acima de 400% ao ano, essa é a linha de crédito mais cara do mercado financeiro. O patamar está cerca de 30 vezes acima da taxa básica da economia, que serve de parâmetro para os bancos buscarem recursos no mercado.
O crédito rotativo do cartão de crédito é acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento.
Segundo analistas, essa linha de crédito deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.
Crédito bancário
O volume total do crédito bancário em mercado, segundo o Banco Central, avançou 10,2% em 2025, para R$ 7,12 trilhões.
Com isso, houve desaceleração na comparação com o ano de 2024, quando foi registrada uma expansão maior: de 11,5% (valor ajustado).
➡️Esse ritmo menor de crescimento já era esperado pelo Banco Central, diante da alta da taxa Selic, que, em 15% ao ano, está no maior patamar em décadas.
➡️Para 2026, a autoridade monetária prevê nova desaceleração, com um crescimento de 8,6% no salto total de crédito dos bancos.
Inadimplência em alta
De acordo com dados do Banco Central, a taxa de inadimplência média registrada pelos bancos nas operações de crédito subiu fortemente em 2025, fechando o ano passado em 4,1,% – contra 3% no final de 2024.
➡️Com isso, a inadimplência bateu novo recorde da série histórica do BC, que tem inicio em março de 2011. O recorde anterior havia sido registrado em novembro de 2025 (4%).
Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência subiu de 3,5% em dezembro de 2024 para 5% no final do ano passado — uma alta 1,5 ponto percentual. Trata-se do maior valor desde dezembro de 2012 (5,1%).
Já a inadimplência das empresas cresceu de 2% no fechamento de 2024 para 2,5% em dezembro de 2025, um 0,5 ponto percentual. É o maior valor desde outubro do ano passado (2,6%).
Com Selic alta para conter inflação, juro bancário sobe em 2025, crédito desacelera e inadimplência bate recorde
