
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, presta depoimento sobre operação militar na Venezuela em audiência no Senado dos EUA, em Washington D.C., em 28 de janeiro de 2026.
REUTERS/Jonathan Ernst
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (28) que os EUA dividiram com a Venezuela o dinheiro da primeira venda de petróleo venezuelano desde a deposição do ditador Nicolás Maduro.
Rubio disse em depoimento ao Senado norte-americano que dos US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 trilhões) levantados da venda, US$ 300 milhões (R$ 1,56 tri) foram enviados para o governo da Venezuela e outros US$ 200 milhões (R$ 1,04 tri) “estão parados em uma conta”. A venda ocorreu há duas semanas, em 14 de janeiro, e o dinheiro havia sido colocado em uma conta no Catar, segundo a agência de notícias Reuters.
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O secretário de Estado o governo Trump fez “diversas tentativas” para fazer o ditador Nicolás Maduro deixar a Venezuela voluntariamente antes de fazer operação militar para sua captura.
“Ele não é alguém com quem se possa fazer um acordo”, afirmou Rubio em depoimento ao Senado dos EUA sobre a operação do Exército norte-americano no início do mês que resultou na deposição de Maduro.
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➡️ Tropas do Exército dos EUA entraram na capital venezuelana em 3 de janeiro e capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O casal foi levado a uma prisão em Nova York e é julgado por acusações de tráfico de drogas, crimes pelos quais eles se declararam inocentes. Desde então, eles estão em uma prisão de segurança máxima na cidade norte-americana. O aspecto legal da operação em Caracas ainda é obscuro: enquanto o governo Trump defende a legalidade, a ONU e a comunidade denunciaram violações do direito internacional.
Desde a deposição de Maduro, a Casa Branca colocou o governo e o petróleo venezuelanos sob tutela. Sobre isso, Rubio disse ao Senado norte-americano que os EUA estabeleceram um diálogo “muito respeitoso e produtivo” com os líderes interinos da Venezuela. Ele afirmou também que o governo Trump quer estabelecer “bem rapidamente” uma presença diplomática em território venezuelano.
Em um trecho antecipado pelo Departamento de Estado norte-americano mais cedo nesta quarta, Rubio falará ao Senado que o governo Trump pode depor a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, da mesma maneira que fizeram com Maduro, caso ela não coopere da maneira que Washington espera. Leia mais abaixo.
Após sua audiência no Congresso, Marco Rubio terá uma reunião com María Corina Machado, opositora ao chavismo e vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025. Preterida por Trump para suceder Maduro, Corina Machado busca chegar ao poder na Venezuela e tenta manter aberto o diálogo com o governo norte-americano.
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, vai avisar o Senado norte-americano nesta quarta-feira (28) que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, poderá ser deposta assim como ocorreu com o ditador Nicolás Maduro, segundo um trecho do discurso que pronunciará para os congressistas.
O chefe da diplomacia dos EUA comparecerá nesta quarta perante uma comissão do Senado para explicar a operação em Caracas que levou à captura de Maduro, em 3 de janeiro, e os próximos passos do governo Trump no país sul-americano.
Delcy, que agora lidera um processo gradual de mudanças, “conhece muito bem o destino de Maduro”, afirmará Rubio, segundo o trecho de seu depoimento, que foi divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano.
“Acreditamos que seu próprio interesse se alinha com o avanço de nossos objetivos-chave (…) Não se enganem: como afirmou o presidente, estamos preparados para usar a força para assegurar a máxima cooperação se outros métodos fracassarem”, afirmará o secretário ao Congresso, segundo o trecho divulgado.
A nova advertência ao Miraflores ocorre dias após Delcy ter dito que estaria “farta” da pressão dos EUA contra seu governo: “Chega de ordens de Washington”. O governo e o petróleo venezuelanos estão sob tutela da Casa Branca desde a captura de Maduro, e Trump já disse que ela pagará um “preço muito alto” caso ela não coopere.
Relatórios de inteligência dos EUA também levantaram dúvidas, nos últimos dias, se Delcy de fato cooperará com o governo de Donald Trump da forma que a Casa Branca deseja: com subserviência no Executivo e no petróleo, e também cortando laços com China, Rússia e Irã —aliados históricos do chavismo e oponentes dos EUA. Os documentos foram vistos pela agência de notícias Reuters.
Ex-senador republicano, o secretário Rubio aceitou testemunhar perante seus antigos colegas após semanas nas quais os democratas acusaram o governo Trump de enganar os legisladores e de exceder sua autoridade ao usar a força.
“Não estamos em guerra contra a Venezuela”, garantirá Rubio. “Tudo isso foi conseguido sem a perda de uma única vida norte-americana, nem uma ocupação militar contínua”. “A história oferece poucos exemplos nos quais se tenha conquistado tanto a um custo tão baixo”, frisará o secretário.
As autoridades venezuelanas dizem que mais de 100 pessoas morreram, tanto venezuelanos quanto cubanos, que tentaram proteger Maduro, sem sucesso.
Trump exigiu que Delcy Rodríguez trabalhe para beneficiar as empresas petrolíferas norte-americanas.
O republicano afirmou, horas após a derrubada de Maduro, que preferia pressionar a presidente interina em vez de tentar fortalecer a oposição venezuelana e afastou sua líder, María Corina Machado, a quem chamou de “mulher muito agradável”, mas que não inspira “respeito”.
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