
Presidentes Emmanuel Macron e Donald Trump em encontro em outubro de 2025
Yoan Valat/Pool via Reuters
O Parlamento Europeu decidiu nesta quarta-feira (21) suspender a análise do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. O anúncio foi feito pelo presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, e confirma um movimento que já havia sido sinalizado na véspera.
A decisão ocorre após declarações reiteradas do presidente americano, Donald Trump, defendendo que os EUA assumam o controle da Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca.
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Segundo Lange, o Parlamento vinha avançando na definição de sua posição sobre duas propostas legislativas, com o objetivo de iniciar negociações com o Conselho Europeu e viabilizar os compromissos previstos no acordo entre UE e EUA.
Esse processo, porém, foi interrompido após o que ele classificou como uma quebra do entendimento. Trump anunciou que pretende impor uma tarifa de 10% sobre produtos europeus a partir de fevereiro caso a Groenlândia não passe ao controle americano até junho.
“Ao ouvir o discurso dele [Trump] em Davos, não houve qualquer recuo de posição. Ele quer que a Groenlândia faça parte dos EUA, quer sentar à mesa para discutir um preço. O único compromisso assumido foi o de não usar força militar sobre a Groenlândia.”
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Por que Trump quer adquirir a Groenlândia?
Nas últimas semanas, o presidente americano intensificou as iniciativas para anexar a Groenlândia.
Isso porque, além de a ilha do Ártico ser considerada uma rota marítima estratégica para o comércio global e a exploração de matérias-primas críticas, Trump também a considera crucial para a construção do chamado Domo de Ouro — escudo antimísseis que ele deseja erguer para proteger os EUA.
“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!”, escreveu o republicano em uma publicação nas suas redes sociais na semana passada.
Em resposta às declarações de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo da Dinamarca.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.
A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.
Pessoas participam do protesto “Tirem as mãos da Groenlândia”, realizado após a Casa Branca afirmar que os EUA estavam considerando uma série de opções para adquirir a ilha.
Ritzau Scanpix/Emil Helms via Reuters
Parlamento Europeu decide suspender acordo comercial com os EUA
