
O grupo de lojas de luxo Saks Global pediu proteção contra falência na noite de terça-feira (13), em um dos maiores colapsos do varejo desde a pandemia, segundo informações da Reuters.
O pedido acontece pouco mais de um ano depois de um acordo que reuniu três grandes redes de lojas de alto padrão nos Estados Unidos: Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus.
O anúncio gerou dúvidas sobre o futuro das lojas de luxo nos EUA. Mesmo assim, a empresa informou na manhã de quarta-feira (14) que as lojas permaneceriam abertas por enquanto, depois de conseguir um financiamento de US$ 1,75 bilhão e nomear um novo diretor executivo.
O ex-CEO da rede Neiman Marcus, Geoffroy van Raemdonck, vai substituir Richard Baker, que havia liderado a estratégia de compras que deixou a empresa com dívidas elevadas.
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A Saks Global também escolheu dois ex-executivos da Neiman Marcus, Darcy Penick e Lana Todorovich, para cuidar, respectivamente, da área comercial e das parcerias com outras marcas.
Em documentos apresentados à Justiça dos EUA, a empresa estimou que seus ativos e dívidas variam entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões. O processo de falência dá à companhia tempo para reorganizar suas contas ou encontrar um novo dono. Se isso não acontecer, a empresa pode ter que fechar.
A Saks sempre foi conhecida por atrair clientes ricos e famosos, de Gary Cooper a Grace Kelly, mas enfrentou dificuldades após a pandemia de COVID-19. A concorrência de lojas online cresceu, e muitas marcas passaram a vender seus produtos diretamente em suas próprias lojas.
A primeira Saks Fifth Avenue, famosa por marcas como Chanel, Cucinelli e Burberry, além dos shows de luzes de Natal, foi inaugurada em 1867 por Andrew Saks, um pioneiro do varejo americano.
Financiamento
O novo acordo de financiamento prevê uma entrada imediata de US$ 1 bilhão por meio de um empréstimo concedido por um grupo de investidores. Um financiamento adicional de US$ 240 milhões estará disponível com garantias sobre os ativos da empresa. Depois de sair do processo de falência, a Saks Global poderá receber mais US$ 500 milhões do grupo de investidores.
A empresa pediu à Justiça um adiamento de 45 dias para entregar suas demonstrações financeiras, até 13 de março de 2026.
Entre os credores estão grandes marcas de luxo, como Chanel (US$ 136 milhões), Kering, dona da Gucci (US$ 60 milhões), e o maior grupo de luxo do mundo, LVMH (US$ 26 milhões). No total, a empresa calcula ter entre 10 mil e 25 mil credores. Algumas dessas marcas não quiseram comentar.
Dívidas e dificuldades
Em 2024, Baker liderou a compra da Neiman Marcus pela canadense Hudson’s Bay Co, que controlava a Saks desde 2013. Depois, ele separou os ativos de luxo dos EUA para criar a Saks Global, reunindo três redes que fazem parte da história da moda americana de alto padrão.
O negócio de US$ 2,7 bilhões foi financiado principalmente com dívidas e investimentos de empresas como Amazon, Salesforce e Authentic Brands, que se tornaram acionistas da Saks Global.
O problema é que, embora o acordo tivesse como objetivo fortalecer a empresa, ele aumentou muito a dívida em um momento em que as vendas de produtos de luxo no mundo estavam desacelerando. No ano passado, a Saks teve dificuldade de pagar fornecedores, que começaram a segurar os estoques.
Prateleiras vazias afastaram clientes para concorrentes, como a Bloomingdale’s, que registrou boas vendas em 2025. “Os ricos ainda estão comprando”, disse o analista da Morningstar, David Swartz, “só que não tanto na Saks”.
Sem dinheiro em caixa, a empresa vendeu recentemente o imóvel da loja Neiman Marcus Beverly Hills e também tentou vender uma parte da loja Bergdorf Goodman para reduzir dívidas. Em 30 de dezembro, a companhia não conseguiu pagar mais de US$ 100 milhões em juros de seus títulos.
Fachada da loja principal da Saks na cidade de Nova York
Reuters
Varejista de luxo Saks Global entra com pedido de falência nos EUA
